Editorial - António Gonçalves Rodrigues

Saturação

Três meses e meio depois do início de um período que os portugueses nunca mais irão esquecer, em que as expressões “confinamento” ou “distanciamento social” entraram no nosso dia a dia de repelão mas tomaram conta do sofá da sala, já não esperava ainda escrever sobre a pandemia e a covid-19. Pelo menos, não até outubro.
Tentei resistir mas a verdade é que, por maior que seja a saturação que já tenhamos com o tema, ele veio para ficar. Imiscuiu-se no meio de nós vai condicionar os nossos comportamentos em sociedade nos próximos anos, se não para sempre.


A história tende a repetir-se

Ciclicamente, a história tende a repetir-se. Daí a necessidade de estudarmos a história para aprendermos com os erros cometidos e não os repetirmos.
Há cerca de um século, quando o mundo enfrentou uma outra pandemia, de gripe espanhola, também houve necessidade de recorrer ao confinamento.
Na altura, as condições que se viviam na generalidade das aldeias e cidades portuguesas não eram, nem de longe nem de perto, as mesmas que se vivem atualmente.


Desconfinamento e paraquedistas

Exatamente um mês depois, o concelho de Bragança registou, ao final da tarde de sexta-feira, mais dois casos positivos a covid-19, o que já não acontecia desde 05 de maio. Já no domingo, mais sete resultados positivos, quatro deles vindos da região de Lisboa, a mais afetada do país, para o Nordeste Transmontano.
O desconfinamento gradual que temos vivido não pode ser desculpa para baixar a guarda. Nas últimas semanas tem havido uma série de comportamentos de risco na região, que têm sido denunciados aqui no Mensageiro, mas que tocam a todos.


Prova de fogo

A próxima semana será o teste do algodão à forma como os transmontanos, em particular os do cantinho mais a Nordeste do país, vivem e viverão o desconfinamento provocado pela covid-19.
A partir da próxima segunda-feira, as creches deverão já receber mais crianças e muitas empresas voltarão ao ritmo normal de trabalho presencial.


Encontrar a esperança no meio das trevas

Noticiava esta segunda-feira o Jornal de Notícias que a Comissão Europeia considerou que “a desinformação é a doença do século”, frisando que os esforços das plataformas digitais “nunca serão suficientes” para combater a propagação de notícias falsas na internet, e ameaçou criar regras mais apertadas.
“No que toca à desinformação, nunca vamos fazer o suficiente, esta é a doença do século”, afirmou o comissário europeu do Mercado Interno, Thierry Breton, citado pelo JN.


O vírus que se instala

No dia em que se cumprem dois meses desde o primeiro caso de covid-19 no distrito de Bragança (entretanto, felizmente já recuperado), o mundo inteiro deu várias voltas, baralhou e está a dar de novo.
Cancelaram-se eventos que nenhuma guerra, crise ou peste tinham cancelado antes, as ruas nas grandes cidades ficaram desertas como não há memória de alguma vez terem estado, as relações humanas e afetivas perderam muito do calor que as caracterizava.


O respeito que devemos ter por nós e pelos outros

Nesta edição, o Mensageiro leva os leitores a uma viagem aos bastidores do combate à covid-19, a doença que entrou no léxico mundial como uma peste que há muito não há memória. Pela primeira vez, um jornal do distrito de Bragança teve acesso aos locais e aos profissionais que, diariamente, estão no epicentro da luta a esta pandemia que ameaça tolher-nos.
Apesar de os efeitos visíveis não serem tão chocantes como os de outros vírus, como o ébola, por exemplo, o novo coronavírus foi suficientemente impactante para confinar grande parte da população mundial às suas casas.


Abrir ou não abrir, essa a questão

Nos últimos e nos próximos dias, a questão do momento será a de abrir ou não e em que medida a economia depois do mês e meio de confinamento devido ao novo coronavírus.
Como qualquer criança sabe, o exercício de suster a respiração só consegue ser executado até certo ponto sem deixar sequelas. Com a economia, acontece algo de semelhante. Quantas mais semanas passam, são mais as pessoas a engrossar a fila do desemprego e do banco alimentar (como as notícias dos últimos dias documentam).
Como diria o povo, "não se morre do mal, morre-se da cura".