Bragança

Problema do assoreamento do Rio Pepim, em Aveleda, prolonga-se há 10 anos

Publicado por SM em Qui, 2019-09-05 09:53

“É um rio sem vida e todas as entidades envolventes são perfeitamente conhecedoras do que se está ali a passar”, reclama Mário Gomes, Presidente da União de Freguesias de Aveleda e Rio de Onor referindo-se àquilo que já descreve como “um crime ambiental grave fruto da inoperância dos vários organismos que tutelam esta área”.

Desde 2009 que as descargas de areia das antigas minas de volfrâmio de Portelo têm vindo a assorear e poluir o Rio Pepim, em Aveleda, e a acumulação dos detritos já ocupa uma extensão de quase 14 quilómetros.

“Não há vida nesse rio e o leito muda constantemente e como é evidente, com graves prejuízos nos ecossistemas aquáticos do Parque Natural de Montesinho e na economia local. Era um rio fantástico para a pesca e hoje não se consegue pescar. Neste momento Aveleda corre sérios riscos de cheias. Há, aliás, uma rua, que quando chove muito já fica inundada com água que vem do rio” explica.

“A resposta de quem nos interessava verdadeiramente, que é uma empresa criada por decreto lei de Desenvolvimento Mineiro, foi criada para resolver passivos ambientais, está diretamente ligada ao fundo ambiental e portanto isenta de qualquer candidatura ou projeto, e é precisamente essa empresa que não mantém qualquer tipo de diálogo connosco”.

Em Bragança, na passada sexta feira, e por ocasião do 40.º aniversário do parque Natural de Montesinho, a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Célia Ramos admitiu ter tido conhecimento da situação “há muito poucos dias a esta parte”, garantindo que “já há um estudo feito pela Agência Portuguesa do Ambiente sobre as ações que é preciso desenvolver nas margens desses rios para conter os processos erosivos do solo. A partir de hoje, com o apoio do Laboratório dos Rios de Mogadouro, não deixará de ficar assinalada a necessidade de se intervir nessa área”.

No rescaldo das declarações da Secretária de Estado, o Presidente da União de Freguesias garante “continuar esta luta” que quer acreditar, “não seja inglória”.