A opinião de ...

Um Portugal que julgava já não existir

O Coronavírus-02 e a Covid-19 permitiram-me redescobrir um país que julgava já não existir.
A ondas de solidariedade emocional, económica, social e de ajuda aos profissionais de saúde e restante pessoal da «linha da frente» impressionaram-me pela sua genuinidade, pela sua generosidade e pela sua manifestação de valores cristãos católicos e de solidariedade.
Sabia pela experiência da guerra que «a união faz a força» e que existe coesão quando é «um por todos e todos por um».
Ter-se definido a luta contra os dois males como uma guerra deve ter ajudado a esta união e a esta onda de solidariedade mas, confesso, não esperava nem tanta união nem tanta solidariedade nem ainda tanta abnegação.
Empresários a reconverterem as suas linhas de produção para colmatarem as lacunas do sistema de saúde; empresas a levar os seus produtos aos clientes para estes não se exporem; voluntários a colaborar na assistência social; médicos e enfermeiros a oferecerem-se para a «linha da frente»; a Igreja cristã católica a disponibilizar um serviço religioso de esperança e de conforto emocional e moral, com apoio nas efemérides da Quarema e da Páscoa; militares da GNR, agentes da PSP, Bombeiros, funcionários dos serviços de abastecimento público com um elevado serviço de missão; responsáveis políticos a não mentirem sobre o presente e sobre o futuro; cidadãos conscientes do estado de emergência declarado e vivido; autarcas e autarquias como provedores de estruturas em falta, tudo isto são imagens de um país que eu julgava já não existir.
Ao longo dos meus 67 anos de vida, vivi 22 anos no Regime do Estado Novo onde conheci um povo extremamente generoso e solidário (se assim não fosse não era possível termos sobrevivido como Povo) mas um poder político e umas elites políticas, económicas e sociais avaras, egoístas e pouco preocupadas com os dramas do Povo. Vivi a solidariedade no seio das aldeias, e ela gerava irmandade e partilha que dá gosto exaltar.
Mas, desta vez, tenho orgulho em todos os setores da sociedade e na Igreja Cristã Católica. Pode ser que esta solidariedade se quebre se a crise se prolongar por muito tempo mas temos a garantia de que há valores e estruturas para não nos deixarmos cair no caos. Ao contrário da Grã-Bretanha e dos EUA, estes ainda menos que aquela. O pior que podemos fazer é que, cada um por si, e não em conjunto, enfrentemos esta batalha.
Desta vez, vi a força da Nação Portuguesa, brotando de um Povo que tem Língua, Cultura, Valores; Religião e emoções comuns. Estou muito orgulhoso e feliz embora triste e muito preocupado pela ameaça e incerteza face ao Coronavírus-2.
Por favor, não vá aos mercados

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