Armando Fernandes

 

 

Nos 99 anos do Professor Adriano Moreira

Apesar de na minha balança do deve e haver dos afectos e da denominada sorte (que dá um insano trabalho) entender que existe desequilíbrio negativo, a vida tem me concedido a benesse de agregar alguns amigos no clássico sentido grego da amizade e privilégio de conhecer Homens merecedores de profundo respeito, admiração e desejo de os imitar nas acções e comportamento. Um desses homens com H grande, graúdo, refulgente e para sempre é o professor Adriano Moreira.


Autárquicas

Eleger os nossos representantes mais chegados, no governo da polis onde vivemos é tão difícil como acertarmos na escolha do melão (de casca a recordar um carvalho) a fim de apimentar (com pimenta de qualidade se servem no início ou no fim da refeição) festins de eclatante convivialidade a exaltar amizades e alegrar corações. A escolha serena, reflectida, estudada ao pormenor ainda fica mais difícil (uma das causas da abstenção galopante) daí não constituir motivo de admiração o facto de inúmeros autarcas se eternizar nos cargos.


Os fundos

Muitos dos fundos vindos da Comunidade Europeia no passado afundaram-se em obras sem sentido funcional, várias motivaram e motivam zombarias acídulas, outras perderam-se na burocracia mudando de tom e som, enfim: os fundos serviram de isco mediático no domínio da propaganda política governamental e autárquica. Os abusos deram conteúdos ao então jornal Independente dirigido por Paulo Portas, que imbuído de uma sanha «justiceira» à Robespierre apanhou muitos abusadores e inúmeros inocentes que nunca o conseguiram levá-lo a sentar-se no banco dos réus. Lembram-se?


O dual Otelo

Noutro texto no qual teço opiniões referentes a Otelo a propósito da sua morte ocorrida há dias aponto Janus ou Jano divindade romana possuidora de duas faces viradas em sinal contrário. Nunca apreciei a duplicidade do estratego operacional do 25 de Abril, nos primeiros tempos a seguir ao triunfo por que enfunou estrídula jactância logo no acto em que lhe foram colocadas as estrelas sobre os ombros, posteriormente e até ao 25 de Novembro de 1975, dada a sua constante fanfarronice cujos efeitos foram provocar medo, angústia e até fuga de inúmeras pessoas da sua Pátria.


O macho do Má Cara

Julgo que o senhor cuja alcunha era o «Má Cara» teria como apelido Gonçalves, exercia a profissão de carroceiro levando e trazendo encomendas da Estação de Caminho de Ferro emparceirando com outros colegas, sem esquecer as pequenas encomendas reservadas aos marçanos alvo de sórdida exploração pelos comerciantes amassadores de fortunas e, ainda, o Belisário dono de voz de socarrão aguardentada logo pela manhã.


Cultura

São centenas as definições de cultura? Serão milhares? Não sei. Contento-me com os Ensaios do notável T.S. Eliot, com as matrizes criticas em A Ideia de Cultura de Terry Eagleton, A Cultura Inculta de Allan Bloom e a sóbria e penetrante síntese sobra a Cultura do meu saudoso Mestre Padre Manuel Antunes.


Futebolândia

Passada a pueril paixão assolapada pelo futebol, que como desafortunadamente sei provoca desvarios e desilusões, procurei perceber o fenómeno da irracionalidade dessa paixão no respeitante ao desporto-rei enquadrado no conceito de alienação tão caro a, filósofos, sociólogos, historiadores do talante de Johan Huizinga, George Simmel, Norbert Elias e Roger Caillois, cito estas importantes figuras do pensamento Ocidental na justa medida de as suas obras me terem possibilitado aceder a um maior e mais distinto entendimento dos pressupostos emocionais das paixões assolapadas que tantas vezes aca


Rosnadelas

Os leitores façam o favor de desculpar o «disparatado» título desta crónica longe do cânone da educação recebida em casa e na Escola Primária da Estação debaixo dos auspícios da saudosa Mestra Dona Aninhas Castro.


Assinaturas MDB