Armando Fernandes

 

 

O tempo

A ínclita Marguerite Yorcenar foi capaz de escrever suculentamente sobre as rugas da História da Humanidade, legando-nos a obra lapidar – O Tempo esse grande escultor – no qual revolve as tripas da condição humana obrigando-nos a reflectir acerca da Clepsidra que nos acompanha até à finitude.


O corte e a costura das listas

Nos anos sessenta do século passado os mais prendados alfaiates de Bragança eram os Senhores Álvaro Gomes, Fonseca (Tirone, por se assemelhar ao galã Tyrone Power), Garrido e Vaz (Canta). No nicho das costureiras imperava a Dona Marília. Estes doutores agulha cortavam de modo a os clientes esconderem desconsolos físicos, ficando a costura entregue aos ajudantes debaixo do olho clínico do patrão da oficina. Naqueles inferninhos de má-língua (boa língua escrevo eu).


Dia da Memória

Já escrevi várias vezes o quão importante é perpetuarmos a memória de tudo quanto nos marcou, para o bem, para o mal, a todos os níveis, a todo o tempo, radiantes, temerosos, em momento de transe, em instantes relampejantes de felicidade. Por assim ser, e é, vários países incorporaram nos seus calendários de feriados nacionais o Dia da Memória. Memorial Day.


Deus manda-nos ser bons, não nos manda ser parvos.

Na edição deste jornal de 04 de Novembro, o Dr. José Mário Leite (JML) centra-se, atira-se, a Rui Rio, qual gato esfaimado se atira a bofe porcino acabado de ser esquecido no alguidar no decurso da desmancha do reco alimentado com folhas de negrilho, farelos, castanhas e maçãs cruas e algum centeio a forma a carne ficar mais gostosa. Ora, o «desgosto» de (JML) reside no facto do Presidente do PSD não ter viabilizado o Orçamento, inviabilizando a ascensão do austero e firme líder do universo laranja ao restrito panteão de estadistas.


Nuno ÁLVARO VAZ

Ao contrário de uma manta de retalhos desirmanados (Retalhos da Vida de um médico, de Fernando Namora), é uma manta bem urdida a obra referente às vivências do desfiar do tempo em forma de biografia de Nuno Álvaro Vaz, prima pela boa tecelagem do relato em primeira pessoa (do autor) cujo pontos de referência a balizarem o pontilhado de maior importância quais degraus de quem conseguiu o almejado (ser próspero comerciante) desejo de subir a montanha do êxito numa terra pouco atreita a sublinhar as qualidades dos seus filhos, até para de cumprir o anexim santos da terra não fazem milagres, te


O começo das aulas

Nos tempos da outra senhora forreta e pouco interessada em ilustrar o povo português (apesar das excepções, Henrique Veiga de Macedo), as aulas principiavam para a instrução primária tinham início no dia 7 de Outubro, enquanto no secundário a campainha tocava a partir do dia 1 do mesmo mês.


Há lodo no cais

O título desta crónica é a lembrança do extraordinário filme com esse mesmo nome no qual avultava a genial interpretação de Marlon Brando, do realizador Elia Kazan posteriormente delator no célebre processo de «caça às bruxas». Trago a formidável fita à colação porque no Cais do Sodré e imediações magotes de turbas juvenis têm conseguido atolar aquele espaço de modo a os residentes familiarizados com a obra de Dante pensam ser aqueles alvorotos uma alegoria ao Inferno ante a impotência (ou sorna passiva) da PSP a demonstrar a penúria do subsídio de risco.


Nos 99 anos do Professor Adriano Moreira

Apesar de na minha balança do deve e haver dos afectos e da denominada sorte (que dá um insano trabalho) entender que existe desequilíbrio negativo, a vida tem me concedido a benesse de agregar alguns amigos no clássico sentido grego da amizade e privilégio de conhecer Homens merecedores de profundo respeito, admiração e desejo de os imitar nas acções e comportamento. Um desses homens com H grande, graúdo, refulgente e para sempre é o professor Adriano Moreira.


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