Depois de a poeira assentar
As eleições autárquicas já lá vão. Já passaram quase quatro meses, o suficiente para a poeira começar a assentar depois das mudanças operadas, nomeadamente em Bragança e Macedo de Cavaleiros.
Os efeitos começam já a ficar visíveis.
No final deste mês, o PSD vai a eleições internas. Dois meses depois, caberá ao PS.
Ambos os atos eleitorais serão marcados precisamente por estas eleições.
No PSD, a derrota sofrida em Bragança deixou feridas abertas, que já vinham de há um ano e das eleições para a concelhia de 2024.
Perdida a Câmara de Bragança para Isabel Ferreira, após 28 anos de poder, as peças tentam, lentamente, voltar a agrupar-se.
Mas em Vinhais, por exemplo, prevê-se que haja continuidade nas clivagens que antecederam as eleições autárquicas, entre a Concelhia, liderada por Carla Rio, e a Distrital, liderada por Hernâni Dias. Não por acaso, deverão ser duas as candidaturas à concelhia vinhaense.
Do lado do PS, também já há pelo menos duas candidaturas assumidas à Federação Distrital. Benjamim Rodrigues, que perdeu, primeiro, a concelhia de Macedo (apoiou a lista que saiu derrotada nas eleições internas) e, depois, a Câmara para Sérgio Borges, do PSD, tenta cavalgar a crista da onda da vitória de Isabel Ferreira em Bragança, a independente Isabel Ferreira, eleita nas listas do PS. Fala num trabalho de continuidade.
Mas terá a desafiá-lo Júlia Rodrigues, que recusou a ir ao embate e tentar um terceiro mandato em Mirandela, preferindo regressar ao lugar de deputada na Assembleia da República que já tinha ocupado no tempo de António Costa.
A questão é que as dinâmicas de poder dentro do PS parecem ter mudado, a reboque, precisamente, da vitória de Isabel Ferreira em Bragança.
A nova presidente da Câmara da capital de Distrito congrega, neste momento, a maioria do capital político. É ela a responsável pela maior Câmara do distrito, foi dela, fundamentalmente, a vitória nas autárquicas, é ela a interlocutora com os líderes partidários, como já era anteriormente com Pedro Nuno Santos.
Por isso, numa altura em que se continua a falar dos mesmos nomes de sempre, que nos últimos anos fizeram a política socialista na região, é normal que haja militantes que anseiam por uma alternativa, por sangue novo, a exemplo do que aconteceu nas autárquicas com o sague novo de Isabel Ferreira a trazer a vitória que escapava há 28 anos. Por isso, uma terceira candidatura poderá estar na forja, se for esse o entendimento da presidente da Câmara de Bragança, cujo apoio poderá ser determinante para quem quiser vencer a Federação. Será que o PS vai insistir nas velhas fórmulas ou, a exemplo do que aconteceu na autarquia, abrir caminho a caras novas e sangue fresco?
O que diz o povo? Diz que a poeira ainda está a assentar...
