Bragança

Dois candidatos concorrem à Santa Casa da Misericórdia

Publicado por AGR em Qui, 2019-12-12 10:01

São já esta quinta-feira, dia 12, as eleições para a Santa Casa da Misericórdia de Bragança. O Mensageiro disponibilizou o mesmo espaço aos dois candidatos, para responderem às mesmas três questões.
O Mensageiro foi ouvir o que têm a dizer os líderes das duas listas candidatas, Eleutério Alves, o atual provedor que se recandidata ao cargo e Miguel Miranda, o adversário que avança pela segunda vez.

Eleutério Alves (lista A): “Estamos para servir e não para nos servir” 

 

Porque decidiu candidatar-se à provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Bragança?
Essencialmente, por três razões. A primeira foi o facto de ter recebido muitas manifestações de apoio e incentivo da parte de muitos irmãos e muitos colaboradores que me pediam para continuar.
A segunda porque os irmãos que eu gostava de ver nos órgãos sociais da Santa Casa aceitavam ser candidatos mas numa equipa da qual eu fizesse parte. Entendi que não podia ser ingrato para todos aqueles que apoiavam uma nova candidatura, sobretudo porque eram as pessoas que eu apoiaria, pessoas experientes, motivadas, competentes e disponíveis para servir esta causa da solidariedade.
Uma terceira razão, porque apesar de estarmos num tempo de muitas dificuldades para o setor social solidário,  sinto que ainda posso dar mais algum contributo para o engrandecimento da Santa Casa e dessa forma ajudar os que necessitam de apoio para ter uma vida digna e com qualidade.
É nas dificuldades que as pessoas e as instituições mais precisam de quem as possa ajudar, sem entrar em facilitismos ou aventureirismo.
A Santa Casa da Misericórdia de Bragança tem uma história de mais de 500 anos, cheia de sucesso, queremos continuá-la e afirmá-la.

Quais são as prioridades que define para o mandato?
A missão da Santa Casa é cumprir e fazer cumprir as14 Obras de Misericórdia. Essa é a nossa grande missão. É aí que reside a nossa força solidária e a base de toda a nossa ação. Com 360 colaboradores, apoiamos nesta altura mais de um milhar de utentes por dia nas diversas valências sociais, desde a infância á terceira idade, deficiência, cuidados de saúde, educação, habitação, alimentar e cultural.
Promovemos o desenvolvimento sócio-económico da comunidade, garantimos qualidade de vida e bem-estar ás famílias, ajudamos os cidadãos a ter uma vida digna. Mas há uma área que necessita de uma maior intervenção junto das pessoas. As demências são hoje um problema social e de saúde e com elas as dependências acentuam-se, criando dificuldades às respostas típicas que hoje prestamos.
Um serviço de apoio com qualidade nesta área será a nossa prioridade para o mandato.

Quem o acompanha?
A equipa que me acompanha é constituída por irmãos motivados, com muita experiência e competência quer na área da gestão quer nos domínios da educação, comunicação e social. O Dr. José Moreno e o Dr. Narciso Pires que assumirão  as presidências da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal e o Eng. Rui Caseiro que assumirá as funções de Vice-Provedor são exemplos da excelência dos vinte irmãos que constituem a nossa equipa e que tudo farão para a defesa e promoção dos interesses da Santa Casa, dos seus utentes dos seus colaboradores.
O espírito desta equipa é um espírito de missão, de serviço aos outros, voluntário e gratuito.
Estamos para servir e não para nos servir.
A nossa recompensa é o bem-estar daqueles que servimos.
Seguindo a orientação do Papa Francisco, “a misericórdia para a qual somos chamados abraça toda a criação que Deus nos confiou para sermos cuidadores e não exploradores, ou pior ainda, destruidores”.
E é a misericórdia que nós queremos pertencer.

 

Miguel Miranda (lista B): “Pela Santa Casa”

 

Porque decidiu candidatar-se à provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Bragança?
Pela Santa Casa, porque tenho fé, coragem e entusiasmo! Apresento-me como candidato a Provedor, íntegro e livre, que há-de conseguir analisar os erros do passado e olhar para o futuro com o objetivo claro de os tentar dirimir e corrigir, um candidato preparado e disponível. A Santa Casa permanece em situação periclitante sob os pontos de vista económico, financeiro, e social, pois a gestão está desorientada. Deparamo-nos, atualmente, com uma irmandade amordaçada. O ambiente interno está afetado e perturbado pelas tentativas de manipulação e devido ao clima de medo instalado. E nós rejeitamos qualquer inversão de valores e imposição de vontades. Faço parte integrante desta irmandade há 30 anos com dois mandatos na Mesa Administrativa e consegui, entre outras realizações, aumentar o nível de formação dos colaboradores, criar o Jornal “O Campainha” e fui promotor e incentivador da criação da Casa do Pessoal da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, espaço de convívio e ponto de encontro dos colaboradores. Escrevi o livro “A Irmandade da Santa e Real Casa da Misericórdia de Bragança – 500 anos das Misericórdias e da Cruzada pela Solidariedade”. Tenho experiência em gestão de projetos de intervenção social.

Quais são as prioridades que define para o mandato?
“Pela Santa Casa” o que nos une e propomos é agir em todas as áreas de acordo com os valores que devem orientar a Santa Casa da Misericórdia: a inclusão, a solidariedade e a causa social. Abertura de um novo ciclo. Envolver mais os irmãos e para que sejam mais ativos. Mas há uma utilização totalmente abusiva de um princípio de independência e de liberdade interna que deve prevalecer. O que mais nos preocupa é que a Irmandade da Santa Casa possa discutir a sua própria renovação de ideias e de projetos, mantendo regras de boa prática interna para que as pessoas e foquem no essencial: quais são as nossas propostas e respostas sociais, quem são as nossas equipas, quem são os novos protagonistas. E que se possa discutir isso em ambiente de total liberdade e também de igualdade de meios e circunstâncias para que os irmãos possam decidir. Por isso, queremos renovar a SCMB! Implementar uma cultura de associativismo participativo e ativo. Acabar com este tipo de democracia dirigida. Porquê complicar imenso a vida de todos aqueles que querem participar livremente nas eleições internas e nessa discussão estratégica da Instituição? Queremos ser informados com rigor e transparência sobre as contas de gestão da Mesa Administrativa, processos eleitorais transparentes e respeito pela dignidade da irmandade. Porque reiteradamente se omitem assuntos das atas das Assembleias Gerais? De que têm medo? Os órgãos sociais devem dar exemplo de serviço e de espaço à novidade e esperança. Vamos criar e desenvolver novos instrumentos de gestão e de controlo financeiro com transparência e rigor, exemplo de responsabilidade perante a comunidade. Implementar plano estrutural de saneamento financeiro da instituição, cumprindo com os compromissos, com utentes, colaboradores, fornecedores e prestadores de serviços.

Quem o acompanha?
Acompanha-me um grupo de gente moderada, acessível, com vivência religiosa ativa na comunidade, com experiência de vida e conhecimento da Casa e de Causa, uma equipa com uma atenção diferente aos irmãos. Pela Santa Casa, e assim, sou candidato a Provedor da Mesa Administrativa. Os outros candidatos à Mesa Administrativa são: Estrela Vaz Gomes, Fernando Nelson Eiras, Leonícia Monteiro Alves, António Alexandre Pombo, Ana Maria Afonso, Valdemar José Maria, Manuel Augusto Gonçalves, Viriato Bernardino Sá, Fernando Jorge Ferreira e Duarte Nuno Pires. Para a Mesa da Assembleia Geral, candidatamos: Presidente – José Joaquim Rodrigues, Luís Francisco Mina e Aida Luz Bento. Para o Conselho Fiscal, temos como candidatos: Presidente – Amador Alfredo Alendouro, Carlos Fidelis Gomes, Adérito Júlio Fernandes, Rui Santos Monteiro, Dina Teresa Vaz e Nobriqui Anes André.