A opinião de ...

A Missa sobre o mundo

Há semanas que, na Academia das Ciências se realizou uma sessão que teve por tema “Teilhard de Chardin e a conjuntura mundial”. É de recordar que a longa vida de Chardin, não como antropólogo, mas como sacerdote cujos pensamentos tiveram sempre presente a lembrança do conselho da sua mãe no sentido de que as coisas não se perdem, mudam, transformam-se. Deixou escrito: “é à minha mãe que devo visão otimista que apoiou a minha carreira de investigador”. Em toda a sua carreira, como diz hoje o Cardeal Africano Robert Sarah, embora ocupado da curiosidade científica de antropólogo ilustre, foi sempre fiel à condição de sacerdote cristão para o qual a referência foi sempre “Deus ou Nada”. Na guerra de 1914-1918, foi chamado a prestar serviço como maqueiro, recebendo a medalha Militar e a Legião de Honra. Mas foi a carreira científica que o mergulhou no estudo desafiante entre a ciência e a fé, embora o seu pensamento fosse longamente desautorizado de autorização de publicidade, o que lhe inspirou escrever, em vésperas de morrer subitamente no dia de Páscoa (10 de abril de 1955), o seguinte: “Senhor, preguei pelo instinto e por todas as oportunidades da minha vida, nunca deixei de vos colocar no coração da matéria universal, “C’est dans l’éblouissement d’une universelle transparence et d’un universel embrasement que j’auras le joie de fermer les yeux”. Tendo partido para a China em 1923, os temas da ciência e da transcendência não impediram Chardin de pensar e pronunciar-se sobre as contingências da marcha para o ponto ómega terrestre, fiel à visão plasmada na Missa sur le monde, no Milieu Divin, e La Priere au Cristh toujours plus grand”. Atento aos conflitos ideológicos da guerra de 1939-1945, um período de conflito aterrador, sacrificando milhões de seres humanos, é o que lhe inspira a famosa Missa sobre o Mundo, vivendo num território, a China, onde faltavam o pão e o vinho. Dirigiu então a Deus estas palavras “Pois que senhor, ainda mais uma vez não já na florestas do Cisne, mas nas estepes da Ásia, não temos pão, nem vinho, nem altar, elevar-me-ei acima dos símbolos até à pura majestade do Real, e vos oferecerei, eu vosso sacerdote sobre o altar da terra inteira, o turbilhão e a dor do Mundo. Depois da sua morte, já admitida a autorização das suas obras. Morris West, no famoso As sandálias do Pescador, como que antecipa a chegada de um Papa do leste, João Paulo II, cuja intervenção pareceu assumir todos os desafios, todos os objetivos, e toda a esperança de Teilhard, o seu ideário do Front Humain. Quando, na praça de S. Pedro, frente à sede do Vigário de Cristo, em cima da Urna do Pontífice colocaram os Evangelhos, uma brisa suave foi folheando o livro: uma espécie de última pregação para o regresso ao projeto de Front Humain. Depois disso, é visível que à Assembleia Geral da ONU, foi sempre o Papa, Paulo VI, João Paulo II, o Papa Emérito, e agora o Papa Francisco, para pregarem, à multiplicidade de crentes de diferentes religiões, de agnósticos, de ateus, mas convidando e escutando o ideário do Front Humain de Chardin, com apoio na proposta, na pregação da fé, do Front Humain de Chardin, a pregação que o Papa Francisco vai repetindo nas latitudes em que não deixa de pregar A Missa sobre o Mundo.

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