A opinião de ...

Descartarem-na? Mas que ideia, Senhora Deputada!

Em termos de actualidade política, (e não só) as últimas semanas de Novembro foram um espanto ou melhor, como diria o Fernando Mendes, foram mesmo um (triste)espectáculo. Como costuma dizer-se, com especial enfoque nos problemas da saúde, na erradicação da pobreza e na lamentável tragicomédia protagonizada pelo partido Livre e a sua deputada J. Katar Moreira, houve mesmo de tudo como nas farmácias.
Confirmando a situação calamitosa em que se está a afundar o Serviço Nacional de Saúde, tudo seria de esperar, menos ouvir as duas mais altas figuras do partido do governo, que no mesmo dia vieram à praça pública reconhecer o estado de pré rotura do Serviço Nacional de Saúde. Seria um mero acaso? Se foi, o que é difícil de acreditar, desautorizaram-se a si próprios, e muito especialmente, se não foi para lhe colocar já um par de patins, desautorizaram a senhora ministra da saúde, (que eles nomearam e reconduziram), cuja incompetência e manifesta incapacidade não lhe permitem fazer, ou pelo menos tenta fazer, qualquer coisa para inverter a sua desastrosa atuação à frente do Ministério da Saúde, ou até talvez tentando um alibi para se justificarem perante o arrasador relatório trimestral da Entidade Reguladora da Saúde, agora divulgado, documento que, pela sua de grande actualidade, aconselho a ler integralmente. Entretanto, se isto não fosse já mais que suficiente, é raro o dia em que não somos confrontados com a notícia de mais um hospital que está em situação de rotura, de mais um grupo de médicos que atingiu o estado de exaustão, de mais um serviço de urgência que não tem as condições mínimas para prestar um serviço com um mínimo exigível de qualidade e segurança, etc. etc. A continuar tudo assim, é justo e urgente perguntar onde e quando é que isto irá parar.
Vieram depois os números sobre o estado de pobreza das pessoas do país. Sim, digo das pessoas, porque não é o país que é pobre ou que é rico. Isso é o país que somos e o país que temos, cuja situação é da responsabilidade de todos nós e da qual ninguém pode eximir-se. Depois de os ler e analisar, pergunto em que é que aquele fastidioso emaranhado de dados estatísticos, a maior parte dos quais sem qualquer interesse ou significado, veio contribuir para ajudar a esbater as diferenças escandalosas entre as elites abastadas e “os outros”, incluindo nestes os pobres fora dos números oficiais, como os muitos milhares dos pobres envergonhados com os quais, por não pesarem nas estatísticas, ninguém se preocupa, tomando para com eles a atitude farisaica de fazer de conta que não existem. Perante isto, por acaso alguém saberá por onde andou e o que é que andou a fazer a nossa Casa da Democracia, vulgo a Assembleia da República? É que, a avaliar pela avassaladora enxurrada de informação debitada por toda a comunicação social, até parece que não houve nada mais importante que prendesse a atenção a não ser a comunicação ao país da senhora deputada do Livre J. Katar Moreira, dizendo que “ninguém a podia descartar”, uma vez que, tendo sido eleita por mérito próprio e sem a ajuda de ninguém, estava legitimada e mandatada para se sentar nos cadeirões da Assembleia da República, usufruindo e disfrutando de todas as benesses e mordomias a que, como os outros, tem todo o direito. Porque não sei se poderei classificar todo este triste panorama como uma novela uma paródia ou uma tragicomédia, na dúvida, pegando no apelido da senhora deputada, confesso que me apetecia dizer a ela e a muita desta gente que, se não sabem ou não querem fazer mais nada e não querem ir bugiar para Cacilhas, por favor, “deixem a polis” e vão catar-(se) para outro lado.

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