Ricardo Mota

Dado....

Diz o povo que a cavalo “dado” não se olha o dente. Na História que vou contar, nada foi de graça, foi hecatombe orçamental. Naqueles tempos, nos idos anos de 1400, no reinado do patriarca da Ínclita Geração, El-Rei D. João I, Portugal atravessa pequena crise económica e o monarca, em segredo, congemina desviar o tráfego marítimo do Mediterrâneo Ocidental para o portentoso estuário do Tejo, de barriga aberta para o receber.


Casa de Campo

Tal como outrora a melancolia, com pesos e medidas calibrados, é elixir revigorante, quando a mente a procura, a deseja. Sinto-lhe a falta nos momentos em que a angústia me abraça e o cansaço me tolhe nos entretantos citadinos, perco-me por entre as gentes automatizadas que circulam alheadas, isoladas, com origens e destinos desenhados, pré-concebidos. Nesse sufoco é hora de partir, a chegada espera-me, lá nos sítios da quietude.


Cesariana…

Para escrever um texto, qualquer que seja, a inspiração tem de andar por perto pois que o tema, farejado ou não, teve forçosamente de passar rente aos sensores, olhos, ouvidos e nariz, de centralina ao leme, a mente, bem oleada por sensibilidade própria.


Prendas de Natal…

O Sol vai baixo e os raios furam as nuvens frias e espessas que abundam, por esta altura, nesta banda, dá gosto observar, bem protegido por agasalhos convenientes, os vultos fantasmagóricos que costumam habitar estes céus. Os traços vermelho-fogo, à mistura com pinceladas de ardósia escura são majestáticos quadros colocados ao acaso nesta intemporal galeria.


Nó, em fim de linha…

Por ali, naquele sítio, de barulho intenso, vive a azáfama diária do boliço citadino, dos da cidade e dos viajantes que neste ponto se cruzam. O rio Tejo, exausto da caminhada, agachando-se sob a passagem da última ponte, na antevisão do aconchego do mar que o espera num afetuoso abraço de delta, com o farol do Bugio como testemunha, mostra-nos sempre a quietude, o sereno, a paz, e a feliz possibilidade do estender da vista.


Ao sabor dos ventos…

Por mais que tentemos procurar o presente no futuro, antecipando o que para aí vem, o relógio, sincrónico, nunca estará do nosso lado. Sabemos apenas que caminhamos eternamente para a mudança, se recuando ou em frente, juízo de cada. De sempre, mesmo depois da invenção da roda e da escrita, o cosmos puxa-nos, suga-nos, deixamo-nos ir sem resistência pois que algo nos diz que bem lá no centro está o gênesis, o começo, a ignição, o princípio e o fim, sendo o fim o íman do qual nunca escaparemos.


Palácio das Açafatas

Reza a História a infeliz história de uma menina de descendência real. Nos idos anos de 1638 nasce em Vila Viçosa Catarina Henriqueta filha de El-Rei D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. Por morte do pai em 1656 a Regente, sua mãe, casa D. Catarina de Bragança com Carlos II de Inglaterra. Nesse casamento em 1662, com apenas 24 anos, Catarina leva, como dote, os nossos Tânger e as ilhas de Bombaim.


Pesos & Medidas…

Todos sabemos que na soma de vários números a ordem das parcelas é arbitrária, isto é, não existe sequência obrigatória em adição, razão pela qual me sinto livre nos caminhos deste texto, imaginação como guia e musa, democracia e igualdade social como meta.