A opinião de ...

A homenagem devida a Giovani

Um jovem deu a vida nas ruas de Bragança a defender os valores em que acreditava.
Luís Giovani Rodrigues era feliz porque se sentia acolhido nesta cidade, como testemunhou o pai ao presidente do Instituto Politécnico de Bragança, Prof. Orlando Rodrigues. Estava entusiasmado com o curso que estava a fazer em Mirandela. Confiava que o iria ajudar a desenvolver as muitas qualidades que já lhe eram reconhecidas. Desde criança que tocava na igreja. Com outros dois amigos, tinha uma banda de musica tradicional cabo-verdiana que começava a ter algum sucesso.
Era católico e foi escuteiro. Acreditava nos valores da fraternidade e defendia uma convivência pacífica entre todas as pessoas. Por isso, ao ver o seu amigo ser violentamente agredido achou que conseguiria demover os agressores e salvar o amigo. Não foi ouvido e acabou por ser atingido pelo golpe que lhe terá provocado a morte.
Desta forma trágica se pôs fim a uma vida plena de potencialidades.
Os estudantes cabo-verdianos convocaram uma marcha de homenagem à memória do Luís Giovani Rodrigues para o próximo sábado, pelas 15:00, nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Covilhã, Guarda e Bragança. Reclamam, também, justiça para o Giovani.
Os governantes cabo-verdianos pedem, por seu lado, celeridade na investigação desta morte trágica e afirmam confiar na justiça portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto dos Santos Silva, já garantiu que os responsáveis pela morte do Giovani serão levados à justiça. E disse mais no Twitter: “Os cabo-verdianos são nossos irmãos e muito bem-vindos em Portugal”.
Também em Bragança, não só os cabo-verdianos, mas todos os estrangeiros continuarão a ser bem-vindos. Eles têm significado um enriquecimento para esta cidade, até ao nível religioso. Muitos deles têm uma formação bem mais sólida do que a maioria dos nossos jovens: era o caso do Giovani.
Participam assiduamente nas várias eucaristias da cidade. Confessam-se habitualmente. Naturalmente, muitos deles estão a inserir-se nos diversos grupos paroquiais. Fazem leituras, são acólitos, cantam nos grupos corais, integram os movimentos e os grupos de jovens. Estão, também, a colaborar na dinamização da Pastoral do Ensino Superior.
Por tudo o que os estudantes estrangeiros significam para a cidade de Bragança, os seus habitantes não podem ficar indiferentes a esta tragédia. Devem mobilizar-se e participar na marcha solidária em defesa dos valores do humanismo, da multiculturalidade e da paz. E assim manifestar o seu repúdio por todo e qualquer tipo de violência perpetuada seja por quem for. Devem, ainda, continuar a acolher e receber bem aqueles que escolhem Bragança para habitar e estudar.
Todos aqueles que comungam da mesma fé que Giovani terão a oportunidade de celebrar a sua fé na Ressurreição e pedir a Deus que o recompense pela sua fidelidade aos valores do Evangelho. No final da marcha será celebrada uma Eucaristia presidida pelo bispo de Bragança, D. José Cordeiro, e animada pelos estudantes cabo-verdianos.
A todos os estudantes sugiro que, depois da marcha, continuem a homenagear o seu colega Giovani, pugnando pelos valores da sã convivência e pela rejeição de todo e qualquer tipo de violência.

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