A opinião de ...

Política: Problemas e projetos

Estamos em 2024 e temos eleições para a Assembleia da República em 10 de março de 2024. A campanha eleitoral está a começar com força. Até aqui nada de novo, mas é interessante pensar no que está a ser a campanha eleitoral dos vários partidos ou coligações e refletir se não existirão outras formas mais eficazes de fazer política.
Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado, sou de opinião que as evidências manifestadas por alguns atores políticos no âmbito da campanha eleitoral têm imitado leilões de promessas, assentes em números com consistência duvidosa.
A política ainda é vista por muita gente como o futebol, pois cada um defende o seu clube até à exaustão sem se questionar: porque sou deste clube? O que o meu clube tem diferente dos outros? Porquê esta certeza que me impede de ver os seus defeitos e só me permite ver as suas virtudes? Mesmo que estas respostas pareçam óbvias para algumas pessoas e sejam inexistentes para outras, as consequências têm pouca influência na vida da maioria das pessoas, o que não acontece com as consequências do voto num partido político.
Assim, mesmo com algum grau de utopia parece-me que é importante que cada força política identifique quais são os problemas que afetam as pessoas no país, em cada cidade, em cada vila e em cada aldeia, e em seguida reflita sobre eles e apresente projetos credíveis e que possam ser executados.
Desejo uma campanha eleitoral livre de casos e casinhos e de ataques pessoais, privilegiando o foco nos problemas reais, nos projetos e nas etapas para a sua execução.
Se alguma das forças políticas considera que não existem problemas que afetam as pessoas portuguesas ou que vivem em Portugal, então basta que pense nos problemas da saúde, da educação e da justiça com que se deparam diariamente.
É fácil arranjar culpados para quase todos os problemas, pois de um modo geral toda a gente é culpada menos cada um de nós. Só que ninguém vive isolado no mundo. E nesse sentido cada um deve preocupar-se, entre outras, com as seguintes questões:
- Quantos são os doentes em listas de espera? Como responder a estes doentes?
- Quantos alunos há sem professores? Como resolver este problema?
- Como estão os quadros docentes no ensino superior? A oferta formativa de cada instituição é adequada à especialização dos quadros de docentes que possui?
- Quantos processos há nos tribunais a aguardar resposta? Quando prescrevem?
Termino desejando que a campanha eleitoral aposte na reflexão e na discussão de problemas reais, e surjam propostas de projetos credíveis para os resolver.

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