A opinião de ...

Pré-campanha

A menos de três meses das eleições legislativas, os partidos começam a divulgar os cabeças de lista pelo distrito. Se na CDU, sem surpresa, o candidato vem de fora (tem sido essa a nota dominante), o Aliança aposta na prata da casa, com Carlos Silvestre, que já integrou a lista às Europeias.
Já PSD não surpreendeu, com o líder Rui Rio a indicar Adão Silva, um dos seus principais ajudantes de campo, deputado de larga experiência e importantíssimo nas batalhas que se travam nos debates no Parlamento, sobretudo quando o tema é Segurança Social. Só Vieira da Silva, do PS, rivaliza com o deputado brigantino em conhecimentos nessa matéria e a não indicação para ministro da pasta foi uma das maiores injustiças de Pedro Passos Coelho, que preferiu entregar a pasta a um desaparecido Mota Soares, do CDS.
Com esta escolha, naturalmente desviou-se José Silvano para outro distrito. À sombra da paridade, Rui Rio resolveu um problema em potência. Por um lado, porque não fazia sentido que o secretário geral do partido fosse humilhado ao ser segundo de ninguém.
Por outro, Adão Silva não é um qualquer no atual aparelho social democrata, é um dos homens de confiança de Rio e já foi cabeça de lista há quatro anos. Para além de que o convite a Silvano para o cargo de secretário geral surgiu precisamente com o beneplácito de Adão Silva, que chegou a recusar o cargo.
Seria muito difícil de explicar essa subalternização (e de aceitar), pelo que Silvano deverá integrar lista de outro distrito, eventualmente Lisboa, em lugar elegível, sem grandes sobressaltos.
Essa é outra questão, pois com o PSD a ter a necessidade de eleger os dois parlamentares para a Assembleia da República, separá-los do círculo eleitoral denota alguma falta de confiança no resultado que pode ser alcançado no distrito de Bragança. Haverá dúvidas na vitória, que tem sido tradição, mesmo em anos de grandes desempenhos do PS?
Quanto aos socialistas, a decisão tarda. Costa não encontra argumentos para não indicar outro que não seja Jorge Gomes para cabeça de lista. Foi a sua escolha pessoal há quatro anos, é o atual presidente da Federação Distrital e vem de uma vitória nas Europeias no distrito e na cidade de Bragança, habituais bastiões do PSD.
Em jantares regulares de velhas guardas socialistas da região, que se vão fazendo regularmente, não falta quem insista em lembrar Pedrógão para insistir numa alegada vontade de António Costa em afastar aquele que foi o seu homem de confiança há quatro anos e a quem não perde uma oportunidade de dar força, insistindo em abraços públicos bem em frente às câmaras de televisão.
Para operar uma substituição dessas, só com uma figura de proa e isso que há muito não se encontra no partido por estas bandas.
Mesmo assim, com a Federação Distrital a escolher os elementos da lista entre o segundo e o sexto elementos, não era certo que Costa se conseguisse livrar de Jorge Gomes, a não ser que o ex-Governador Civil recusasse ser segundo de alguém (Sobrinho Teixeira não parece hipótese).
Por outro lado, com Costa apostado numa maioria que, segundo se acredita no Rato, estará perto, distritos como Bragança ou Vila Real podem vir a fazer a diferença, se conseguirem inverter a lógica de derrota, conquistando pelo menos um deputado em cada um ao PSD. A justificação, por cá, para Jorge Gomes ir em segundo poderia ser precisamente a aposta num nome que tem dominado o PS na região para tentar esse triunfo.
Berta Nunes é outro dos elementos que está certa na lista, indicada pelas Mulheres Socialistas, num sinal de que chegou a altura de enterrar machados de guerra. Pelo menos para alguns…

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