A opinião de ...

"Em Setembro semeia o teu pão mas escuta o que o teu vizinho diz, porque no dia oito o centeio deve estar da altura da pena da perdiz.”

O IPMA disponibilizou o seu relatório climatológico referente ao mês de agosto e sem surpresas verificou-se uma diminuição dos valores de percentagem de água no solo em praticamente todo o país. De acordo com o índice meteorológico de seca, no final de agosto manteve-se a situação de seca meteorológica, verificando-se um ligeiro desagravamento em relação ao final de julho em alguns locais das regiões do norte e centro, graças à instabilidade verificada no dia 25 de agosto. As classes do índice de seca distribuíam-se da seguinte forma: 1.2 % normal, 34.3 % seca fraca, 29.6 % seca moderada, 22.9 % seca severa e 12 % seca extrema, verificou-se um aumento das regiões em situação de seca fraca, englobando praticamente a totalidade do distrito de Bragança, que no mês anterior registava algumas áreas do planalto mirandês já em seca moderada.
O valor médio da quantidade de precipitação em agosto foi superior ao valor normal e corresponde a cerca de 118% (+2.5 mm) do valor normal mensal, como se trata de um dos meses mais secos do ano, esta anomalia ligeiramente positiva não tem qualquer impacto na mitigação da situação delicada que estamos a atravessar, já o referi anteriormente e é bem visível pelos mais atentos, há vegetação a definhar, em dificuldade de sobrevivência devido à escassez de água nos solos, que se encontram com valores iguais ou próximos ao ponto de emurchecimento permanente.
No início desta semana notamos uma descida significativa das temperaturas, em especial das máximas, as mínimas já estavam frescas há alguns dias, foi, para já, o único sintoma da aproximação do outono. O anticiclone voltou a reclamar o seu espaço, afinal ainda é verão, surgiu tardiamente mas muito intenso, centrado nas Ilhas Britânicas, voltando a colocar a região sob o efeito de uma massa de ar quente e seca de leste, com nova subida significativa da temperatura (sentida desde ontem) e o mais grave, sem precipitação à vista, trata-se de uma situação sinótica de bloqueio, que antes parecia sazonal, mas agora parece cada vez mais persistente, seja no verão, seja no inverno, se os atuais mapas se cumprirem, possivelmente não veremos gota de chuva em todo o mês, obviamente espero e consulto os mapas todos os dias na esperança que tudo mude e a chuva finalmente chegue, as temperaturas vão continuar altas a variar entre os 13/16ºC (mínimas) e entre os 29/34ºC (máximas), temos verão!
Poderão acompanhar diariamente as atualizações de toda a informação na página de Facebook e Twitter do Meteo Trás-os-Montes.

Edição
3747