A opinião de ...

Presidenciais: um misto de corrida aos saldos e desfile de palhaços num cortejo de Carnaval

Chegada a última semana do que, ao que tudo indica, será a primeira volta da campanha eleitoral para eleição do Presidente da República, contra tudo o que seria espectável, à medida que se reduz o tempo para refletir, para muitos dos eleitores, fica cada vez mais difícil escolher se votar ou não votar, ou pior ainda, à falta de melhor, ter de se resignar a escolher, não o melhor dos melhores, mas, pior ainda, o menos mau dos piores.
Mais do que nunca, para castigar este processo vergonhoso, ao nível do pior que ainda acontece em muitos dos países do terceiro mundo, para dar a todos os autores e atores que, direta ou indiretamente, foram os responsáveis por esta campanha indecorosa e inútil, uma lição de boas maneiras, urbanismo e dignidade, que os faça corar de vergonha para o resto das suas vidas, (caso ainda lhes reste algum pingo de vergonha), nada melhor do que uma grande afluência às urnas no próximo domingo.
Nesta ordem de ideias, o mínimo que se espera dos eleitores, é que no próximo domingo, mesmo contrariando os ditames da sua consciência, nem que seja apenas para marcar a sua presença, não se demitam do seu direto de votar para, através dele, manifestarem o desencanto, a mágoa e a desilusão que lhes vão na alma, ao constatarem que, depois de mais de meio século de liberdade e democracia, e quase um ano de campanha eleitoral para a eleição da primeira figura da hierarquia do estado, num universo de milhões de portugueses eleitores e presidenciáveis, não havia ninguém que fosse melhor do que estas onze figuras bizarras que se candidataram, cujos momentos de fama e de glória por elas sonhadas para as suas campanhas, não vendo, ou preferindo não ver, que seria mais insignificante do que a participação no mais vulgar desfile de saldos das lojas de bairro nas épocas de inverno, acabará por se esfumar com a velocidade dos fogos fátuos das noites de verão.
Mas, será que teria de ser tudo assim?
Evidentemente que não, porque, como nesta vida, tudo depende do angulo sob o qual se queiram analisar as questões e da honestidade, coragem, dignidade e da malfadada e tão vilipendiada transparência, com que os responsáveis por este lamentável fiasco, queiram analisar e assumir as suas culpas no cartório.
Bem vistas as coisas, são eles os grandes responsáveis pela criação das condições que potenciaram o aparecimento desta vaga de candidatos que, à semelhança da velocidade com se propagam os cogumelos tóxicos, que se desenvolvem às carradas nos troncos das árvores abatidas e já em início de putrefação, se lançaram numa atividade frenética para conseguirem juntar as assinaturas necessárias para se candidatarem o que, valha-nos ao menos isso, muitos deles nem isso conseguiram fazer.
Se era isto que muitos queriam, aí o têm e que lhes faça bom proveito!

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