A opinião de ...

Bule connosco…

O tema destabiliza-me, a angústia agarra-me, quando a irracionalidade anda no ar incomodo-me, fico sempre a magicar na solução possível.
Lá para trás e porque fui professor há cerca de quarenta anos, nos confins do Alentejo, em terras do Menina estás à Janela, do Vitorino da boina, matutei naquele absurdo, por questões das voltas da vida, outro rumo, desliguei.
A super estrutura, a gigantesca organização, o sugar do erário publico em ritmo anual em continuo, capaz de uma abertura do ano lectivo condigna, é obra de loucos.
Agora, livre, observo a constância das notícias, durante quarenta anos o tema cíclico enche parangonas, os barulhos enchem as ruas, a exigência de direitos e abandono dos deveres, satura os outros, os esquecidos, os que sempre pertenceram à retaguarda social, porque soltos, não organizados, cada um por si.
O real diz-nos: alguém à procura de emprego, seja porque motivo for, responde a um anúncio para um cargo em Bragança, imaginemos de Diretor Financeiro. Acordo entre as partes, posto de trabalho garantido. Este emprego acabará por justa causa, por entendimento mútuo ou por extinção da necessidade daquele serviço. Esta é a regra para todas as profissões em Portugal à excepção dos Funcionários Públicos e de todos os seus derivados.
Ativemos a imaginação: três anos depois do nosso Diretor Financeiro estar ao serviço alguém bate à porta do empregador e pergunta a média de curso daquele quadro. Com maior habilitação o perguntador acha-se no direito de ocupar aquele lugar. Absurdo.
Soltemos o delírio: imaginemos que uma grande empresa, a EDP, que cobre o território nacional fica obrigada à realização de um concurso semelhante ao da classe docente: análise dos currículos, malas ás costas de milhares de profissionais. Absurdo.
Real: todas as profissões têm horários, picam ponto, entre trinta e cinco e quarenta horas semanais, dentro das instalações do seu posto de trabalho.
Solução, uma opinião:
- Horário de trabalho igual a todos os profissionais portugueses, com picagem de ponto, horário total dentro das instalações.
- Professor contratado uma vez, posto de trabalho para sempre, naquele estabelecimento de ensino.
- Dentro das instalações o professor dará as aulas legais e o resto do tempo ocupará com outras atividades: preparar aulas, corrigir pontos, dar explicações aos problemáticos.
- O professor estará sujeito às regras universais: progride na carreira por mérito e por vaga, pode ficar sem emprego se naquela região a natalidade for baixa, pode mudar de local em concurso para o efeito, terá direito ao Fundo de Desemprego, terá um mês de férias anual, será um cidadão normal, igual entre iguais.
A imposição de uma classe profissional que grita por direitos e recusa todos os deveres, em igualdade com a sociedade, é fosso desigual, é afronta, Bule connosco…

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