A opinião de ...

Por Detrás-dos-Outros, Nós…

Com toda a certeza que os outros são a fortaleza por detrás dos quais nos sentimos seguros e servem de barreira para nos escondermos de nós.
Ao ler os intoxicantes jornais, on-line, digitalizados ou em papel, empanturramo-nos de opiniões, cartelizadas, projetando agendas pessoais e de grupo, às claras. À noite, as televisões replicam, à exaustão, os dizeres dos plantadores de notícias, os torcedores da verdade. A cereja no topo deste intragável bolo, atenta ao andamento político, ocupa os tempos disponíveis no debate quinzenal onde o 1.º Ministro se tem de defender, não do mau encaminhamento da governação, esse é o tema, mas das quezílias despoletadas por um qualquer algoritmo provocador, inventado nas caves profundas de escondidas oposições.
Desde há uns tempos, sindicato de Abril, que gere a maior fatia de uma classe profissional, desbobina a ideia como certeza, do envelhecimento da classe, esquecendo, sublime esquecimento, de que é todo o Portugal que se encontra envelhecido atingindo, transversalmente, todas as profissões. Nesta tentativa frustrada de conseguir aposentações antecipadas esqueceu-se que este grupo é, na percentagem devida, um dos culpados da baixa natalidade, isto é, o decréscimo populacional, tem sua génese em todos os atuais idosos que procriaram abaixo das necessidades do país que somos. A evidência demonstra que todos os ditos anciões, ao se queixarem, em constância, da falta de profissionais ativos, parece não entenderem que eles mesmo, no conjunto, são o cerne do problema, a origem da falta de alunos nas creches, básico, secundário e superior.
Os casos vão-se sucedendo, os media, de braço dado com o sistema judicial, com máquina afinada na produção de fugas de informação, vão informando do que decorre no nosso palmo de terra, centrifugando verdades e mentiras, ao paladar de todos, sendo aterrador o caso do bebé no caixote do lixo. Os entrevistados, de capote molhado, sacodem-no apontando o vazio, com as teorias do costume, todos menos eu. Mas mais uma vez, estes terríveis e angustiantes episódios acontecem porque a sociedade, na voracidade da sobrevivência, inchada de egoísmo, de olhos fixos no eu, caminha sem ver, os problemas e suas resoluções são sempre de outrem e as exigências de cada um.
O Serviço Nacional de Saúde, SNS, exaurido de médicos, há muito que sobrevive entrincheirado entre os parcos recursos dos profissionais de saúde e o sector privado com o qual se vê obrigado a partilhar. Os cordelinhos desta marioneta, palhaçada mesmo, foram sempre destramente manipulados pela Ordem dos Médicos pela influência no apertado número clausus no acesso ao curso e à carreira da especialidade. Todos os portugueses conhecem a míngua de médicos, exaspera observar a angelical e pudica figura do Bastonário exigir mais profissionais em todos os Serviços, culpando tudo e todos pelo desastre e tenta fugir por entre os pingos da chuva, esquecendo-se que Por Detrás dos Outros, Nós…

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