A opinião de ...

Autárquicas já mexem e prometem ser quentes

Domingo, dia 02 de agosto, o Papa Francisco lançou um alerta. “Espero que, com o compromisso convergente de todos os líderes políticos e económicos, o trabalho seja relançado: sem trabalho, as famílias e a sociedade não podem seguir em frente. Vamos rezar por isto, porque é e será um problema do pós-pandemia”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do ângelus, citado pela agência Ecclesia.
"Perante centenas de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco manifestou a sua preocupação com “a pobreza, a falta de trabalho”.
“São necessárias muita solidariedade, muita criatividade para resolver este problema”, declarou.
Antes, na sua reflexão dominical, o Papa tinha defendido que “o caminho da fraternidade é essencial para enfrentar a pobreza e o sofrimento deste mundo, especialmente neste momento, grave”.
Partindo do relato evangélico do milagre da multiplicação dos pães, Francisco sublinhou que a “lógica de Deus”, proposta aos cristãos, é a “lógica de tomar conta do outro, a lógica de não lavar as mãos, a lógica de não desviar o olhar para lado”", lia-se na mesma notícia.
Ora, a pouco mais de um ano das eleições autárquicas, o assunto começa a merecer ampla discussão no concelho de Bragança. O mote foi a dúvida quanto a um alegado conflito de interesses do empresário e presidente da Assembleia Municipal, Luís Afonso, levantado pela vereação socialista no município. Como há muito não acontecia no distrito, a política caseira aqueceu, com trocas de argumentos, acusações, piropos de parte a parte, sendo que na argumentação começa a entrar a criação e destruição de emprego no concelho.
Ora, numa altura como esta em que vivemos, com a pandemia a deixar muitos negócios em suspenso enquanto durar o último fôlego, avizinham-se tempos negros para o emprego, sobretudo se aquela que é a maior empresa privada da região e com maior volume de exportações, a Faurecia, se vier a ressentir das quebras no mercado automóvel.
Para já, são contratos a prazo que não vão sendo renovados mas cresce o sentimento de incerteza, que pode vir a afetar outras empresas diretamente ligadas ao setor. É um problema à espera de acontecer.
Os próximos meses vão necessitar da solidariedade, das ideias, dos contributos de todos. A batalha autárquica, que inevitavelmente deverá acontecer, tem de ter isso em conta, dos dois lados da barricada. Sob pena de sairmos todos (ainda) mais a perder.

Edição
3793