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A Apresentação da Virgem Maria

A memória da Apresentação de Maria celebra-se a 21 de novembro, antecedendo a Apresentação de Jesus no Templo, a 2 de fevereiro. O Evangelho nada diz à cerca desta edificante história, narrada pelos escritos apócrifos de Tiago, do ano 200 DC. A falta de fundamentação bíblica e histórica faz com que esta celebração esteja no Calendário Romano apenas como “memória” , embora São Paulo VI lhe reconheça valor, porque “para além do dado apócrifo, propõem conteúdos de alto valor exemplar e dá continuidade a veneráveis tradições”. Maria, com três anos, é levada ao templo de Jerusalém por seus pais, Joaquim e Ana, que vão agradecer o nascimento da filha, cumprindo assim a promessa que fizeram para terem filhos, consagrando-a a Deus. Maria permanece por lá até aos doze anos de idade, altura em que as meninas abandonavam o templo para se casar. O casamento era algo importante para Israel que esperava o Messias, que podia nascer de qualquer mulher judia, ou aparecer de forma extraordinária. Maria, prometida a José, também assim fez, preparando-se para ser a Mãe de Deus, título que lhe conferiu o Concílio de Éfeso em 431 (“teotókos” [“Θεοτόκος”], em grego).
A 21 de novembro de 543, dedicou-se a Basílica de Santa Maria a Nova, que o imperador Justiniano mandou construir junto do templo de Jerusalém, com a comemoração da Apresentação de Maria. Um terramoto fez desaparecer, quase por completo, esta basílica e, com o passar dos anos, perdeu-se a sua localização. Estudos de um arqueólogo israelita permitiram descobrir as suas ruínas, no subsolo da cidade velha, no bairro judeu. Esta pretendia ser uma réplica do templo, por isso uniram a memória da Apresentação de Maria à basílica que recebeu o nome de Nova.
Só no século VIII começará a ser celebrada, em Constantinopla a memória litúrgica da Apresentação de Maria, espalhando-se assim, pouco a pouco no Oriente. No Ocidente, esta memória desenvolveu-se mais lentamente. Em 1472 foi alargada a algumas igrejas latinas, aparecendo no Missal Romano apenas em 1505.
A Apresentação de Maria tem sentido fundamentalmente por ela estar constantemente na presença do Senhor, integralmente dedicada ao seu serviço, crescendo na consciência de si e, da sua missão. Decorrendo do nosso batismo a Igreja convida-nos a estar na presença de Deus, a ser santos no nosso dia-a-dia.
O Papa Francisco diz que não é preciso necessariamente ser bispo, padre, ou religioso, para ser santo, pois todos somos chamados a sê-lo. A santidade não está somente reservada aqueles que têm a possibilidade de se destacar dos assuntos do dia-a-dia, para se dedicar exclusivamente à oração. O consagrado(a) seja santo vivendo com alegria a sua doação e o seu ministério, o casado, seja santo amando e cuidando o marido da esposa, e vice-versa, como Cristo fez com a Igreja, o batizado não-casado seja santo fazendo, com honestidade e competência, o seu trabalho e, oferecendo tempo ao serviço dos irmãos.

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