Mudar o ‘chip’
As redes sociais vieram amplificar a perceção que todos temos sobre determinados fenómenos, como os que aconteceram nos últimos dias por todo o país.
Se, até há poucos anos, as imagens dos nevões circunscreviam-se à memória de quem os vivia, a umas (poucas) fotografias nos jornais e a ainda menos imagens nos quatro canais televisivos existentes, hoje em dia tudo é amplificado e difundido pelas redes sociais.
Isso cria, por consequência, um efeito de persuasão de mais pessoas para essas regiões. Se já antes acontecia, agora acontece ainda com mais intensidade.
Veja-se o que acontece nas zonas do litoral sempre que há uma tempestade, com centenas de curiosos de telemóvel em punho para apanhar o melhor reel, pondo em causa a própria segurança, muitas vezes.
Por cá, e pela Serra da Estrela, é a neve a fazer a delícia dos fotógrafos e videógrafos amadores.
O que causa perplexidade nos tempos que hoje vivemos, e com a tecnologia disponível, é a recorrência de notícias de estradas cortadas quase ao primeiro floco de neve caído.
Os acessos aos pontos mais altos ficam intransitáveis logo desde os primeiros momentos, afastando turistas e visitantes, que poderiam estimular a economia desses locais. E isso acontece há anos e anos.
Pergunto-me se o mesmo acontecesse na Espanha, na França ou na Suíça, países que convivem mais frequentemente com nevões nos seus pontos mais altos e que são amplamente procurados por turistas.
Mesmo em Montesinho, os acessos ao alto da serra estiveram praticamente intransitáveis na sexta-feira e no sábado, período de previsível enchente de visitantes. Será este um bom contributo para o desenvolvimento da imagem do concelho e das suas potencialidades de turismo de natureza? Houve turistas, com alojamento marcado e pago no fim de semana, que tiveram de ser rebocados por outros automobilistas, até porque no início da subida para a serra não havia qualquer aviso para as condições da via. É preciso mudar o ch
