A opinião de ...

Quatro palavras vocacionadas: gratidão, coragem, tribulação e louvor

O Papa Francisco é comedido nas palavras para, como se diz na gíria desportiva e militar, acertar no alvo e não desperdiçar munições. Falou de quatro palavras da vocação, na celebração do 57.º Dia Mundial de Oração pelas vocações, no dia 3 de maio: “gratidão, coragem, tribulação e louvor”. Ainda que de forma improvável, eu sinto as palavras vocacionadas, neste tempo de pandemia, refletidas nas notas e comunicados da Conferência dos Bispos Portugueses, Espanhóis e, Italianos.
Quando se referem à “gratidão” para com a população em geral e aos cristãos em particular pela atitude responsável de prevenção ao longo desta situação de confinamento devido ao vírus, no seguimento das normas e orientações da Igreja e das autoridades governamentais e de saúde.
Quando reconhecem a “coragem” dos profissionais, que estão na linha da frente, neste combate, como a de tantos cristãos que sofrem a privação da participação efetiva na celebração sacramental da Eucaristia e, que aguardam, sem euforias, nem pressas, a hora da participação comunitária em princípio, a 30 maio, véspera da Solenidade do Pentecostes. Este sentimento dinâmico que nos pede adaptação a uma nova realidade mais exigente, requerendo de todos mais atenção e cuidados, prudência, atitude cívica, acatamento das decisões das autoridades governamentais e de saúde, para que não aconteça um retrocesso rápido da situação.
Quando implicados nesta “tribulação”, do momento presente, os Bispos Espanhóis e Italianos prolongam, mesmo depois do 25 de maio, a dispensa do preceito dominical e, convidam os idosos, doentes e pessoas em risco a avaliar a possibilidade de não sair das suas casas, acompanhando as celebrações através dos meios de comunicação. Ou, quando os Bispos Portugueses falam de celebrações comunitárias de acordo com regras a estabelecer entre DGS e confissões religiosas.
Quando em atitude de “louvor” imploram a bênção do Senhor e a intercessão da Virgem Maria, neste mês de maio, para que nos livre deste grande flagelo.
As palavras assertivas, trazem já algumas regras definidas e, medidas a adotar: Crismas, só no próximo ano. Batismos e, Unção dos doentes, revestidos dos maiores cuidados. Confissões seguras, para não proliferar o contágio e, revestidas do sigilo sacramental. Funerais na igreja, com presença de familiares, com distanciamento assegurado, para evitar o contágio; Catequese, até ao final do ano, só pelos meios telemáticos. Procissões, festas, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares, só no próximo ano; Igrejas abertas, para visitas individuais, se assegurados os máximos cuidados de higiene e distanciamento.
Confinados, mas não resignados, reforcemos a espiritualidade em casa e, neste mês de maio tão propício, rezemos o terço sós, ou em família, todos como família de Deus

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