A opinião de ...

A fé move montanhas mas não custa ajudar a empurrar

A epidemia do novo coronavírus que alastrou a todos os continentes está a tomar conta e a paralisar a atividade mundial, das manifestações desportivas às culturais, políticas ao mais básico do dia a dia, como trabalhar, ir à escola ou, sequer, sair de casa.
Antes de mais, é fundamental não nos deixarmos dominar pelo medo. Uma epidemia com uma taxa de mortalidade entre os dois e os três por cento e que é especialmente perigosa para corpos já de si debilitados por doenças ou patologias anteriores não pode tomar conta das nossas vidas.
As medidas de proteção anunciadas pelas autoridades de saúde são casos de bom senso e senso comum, que deveriam ser adotadas, muitas delas, no dia a dia normal, como a frequência de lavagem das mãos ou o uso do braço para conter um espirro.
Dá-se a coincidência de que este vírus, alegadamente criado em laboratório por dois cientistas americanos em 2014, tenha surgido precisamente na cidade onde se situa o laboratório militar chinês.
Esse é o maná para os teóricos da conspiração. A verdade é que é nas redes sociais que o verdadeiro terrorismo associado ao vírus vai acontecendo, com o surgimento de boatos alarmistas que em nada contribuem para enfrentar a situação da forma mais correta.
Como não podia deixar de acontecer com qualquer situação com tamanha interferência na sociedade, a Igreja não se pode colocar à margem, seja do debate, seja da mitigação do problema. Antes de mais, com medidas que contribuam para que não se espalhe com a rapidez que seria esperada em situações semelhantes.
O próprio Vaticano anunciou que, em coordenação com as medidas lançadas pelas autoridades italianas, foram adotadas esta semana “novas medidas para evitar a disseminação do coronavírus”, incluindo o encerramento da Praça e da Basílica de São Pedro a visitas guiadas e turistas.
Também foram fechadas a unidade móvel dos Correios do Vaticano na Praça de São Pedro, as duas lojas da Editora Vaticano, o Serviço Fotográfico de L’Osservatore Romano, que continua disponível online, e a loja de vestuário.
“Estas medidas permanecerão em vigor, salvo indicação em contrário, até 3 de abril de 2020”, refere a nota do Vaticano.
A Santa Sé anunciou ainda a suspensão das visitas ‘ad Limina’ previstas até à Páscoa, que se referiam ao grupos de bispos católicos do Brasil e de França.
Em Portugal, algumas dioceses estão a cancelar algumas das manifestações religiosas tradicionais da época da Páscoa, em consonância com as autoridades civis. Uma medida que serve, acima de tudo, de exemplo para a sociedade.
Em alturas destas, a cura da alma ajuda à cura do corpo e já se sabe que a fé move montanhas. Mas não custa nada dar uma ajuda e ir empurrando enquanto se reza.

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