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Obras na Igreja [20] Concelebração, um só altar, um só Cristo.

Contemplando a história bimilenária da Igreja [SC 3] vemos que os primeiros cristãos começaram por celebrar a Eucaristia no domingo, dia em que se faz memória de Cristo morto e ressuscitado [SC 37], dia em que os cristãos se reuniam «para partir o pão» [Act. 20, 7], em casas particulares, no que chamavam a mesa do Senhor [1 Cor 10, 21], colocada na sala só no momento em que se trazia o pão e o vinho para a celebração da Eucaristia.
A partir do séc. IV, com a construção das primeiras igrejas, o altar passou a ser fixo, construído sobre o pavimento e de tal modo unido a ele que não se pode remover [IGMR 298], continuando a haver um só altar em cada igreja, para demonstrar que Jesus tinha feito uma única última Ceia, e que é nela que todos os cristãos, formam um só povo, comungam o corpo e o sangue do seu único Senhor, que é também o único Salvador que morreu e ressuscitou por todos os homens e mulheres. Não se sabe bem como seria a concelebração neste período, mas era prática corrente. O bispo, ou o sacerdote principal, presidiam, sublinhando assim o seu ministério de sinal visível e sacramental de Cristo.
A partir do séc. XIII, até ao final dos anos sessenta do século XX, multiplicaram-se os retábulos e, as mesas de celebração, na mesma igreja. Encontramos numa mesma igreja, à mesma hora e, em diversos altares, vários padres a celebrar Missa para vários grupos de fiéis. Cada grupo dizia que tinha estado na sua missa, dando ideia de que não pertenciam todos a um só povo cristão, ou então que Jesus não tinha feito uma única última Ceia. A prática da Concelebração foi-se tornando menos frequente, talvez porque os teólogos escolásticos não entendessem porque teria de haver muitos sacerdotes a fazer o mesmo que poderia ser feito por um só. São Tomás de Aquino [1225/ 1274] afirmava que o sacerdote não consagra em seu nome, mas na pessoa de Cristo, ora sendo os sacerdotes um só em Cristo, é indiferente que o sacramento seja realizado por um ou por muitos. Necessário é que o rito próprio da Igreja seja fielmente respeitado.
Voltando às fontes, hoje as normas [IGMR 303] referem que na construção de novas igrejas se deve erigir um só altar, o que significa que na assembleia dos fiéis há um só Cristo e que a Eucaristia da Igreja é só uma.
A partir de 1965, com o Concílio Vaticano II, a participação conjunta, simultânea, de mais de um presbítero na celebração da mesma Eucaristia sob a presidência de um celebrante principal torna-se uso corrente. Regulou-se o rito, promulgou-se o ritual, “Ritus servandus in Concelebratione Missæ” [IGMR 199-251] e, não deixou de se reconhecer que, “tanto no Oriente como no Ocidente”, a prática da Concelebração se foi mantendo [SC 57 §1].
Hoje, a concelebração da Missa por vários sacerdotes manifesta de forma apropriada a unidade do sacrifício e do sacerdócio, sobre tudo se é presidida pelo Bispo, e é expressão e consolidação da fraternidade sacramental existente entre os presbíteros.

Foto: Fernando Cordeiro, Ordenações no Seminário de S. José, Bragança, 16/06/1991.

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