Ricardo Mota

O Predilecto….

Vindo de Alfândega da Fé, descendo a caminho dos Cerejais, chega-se a ela facilmente, sempre em frente. A aldeia é arejada, enxerga-se bem quando no topo do Sardão ali bem perto da Parada. Para trás ficou a nova ponte da Ribeira de Zacarias, em serena curva sobre um fenomenal espelho de água, reflector dos verdes multicores que por aqui habitam. Encravada num morro a que os antigos designaram como Rebentão, vislumbra-se construção de xisto, castanho doirado, o xisto que a natureza espalhou por estas bandas.


O palanque…

Sóbrio, rígido, talhado a cinzel e escopro, sisudo, solitário, anti-social, convencido, inflexível, partidário, eis Cavaco o nosso ex-Presidente da Republica. Segundo os livros de Psicologia/Filosofia dos antigos 6.º e 7.º anos dos Liceus o temperamento de Cavaco oscilaria entre leptosomo e nervoso, mais que discutível pois não sou, com toda a certeza, especialista na matéria. Diziam-nos, naqueles tempos, que não havia como fugir, o destino ou fado tomaria conta de nós, seríamos o que nosso corpo transparecia.


Tristeza minha…

A mudança andava no ar, os ventos anunciavam-na, as conversas iam por aí e, a esperança, envergonhada, espreitava nas esquinas, nos becos, vielas e nos conversares entre amigos. Os humores dos que até aqui nos trouxeram, traíram-nos. Cientes do que nos tinham feito, a todos, velhos e novos e que, por isso mesmo, travaram o advir de netos e filhos, futuro de Portugal, tentaram a mudança de agulha.