Ricardo Mota

Um Beijo…

Dando crédito aos especialistas, os beijoqueiros, existem várias espécies de beijos, vai depender de vários factores a sua tipologia, sua catalogação.
Há registo de um ranking de beijos que passaram à eternidade tal a paixão que deixam no íntimo de quem os analisa, de quem se deixa ir na onda sensual, de intimidade, de interligação, do levitar, do alheamento, do par fundido.


Santas da Ladeira

Nasci em terra de Santinhos, nas fraldas do Monte de Santa Quitéria, no Felgueiras de então. Longe vão os tempos da Primeira Comunhão. Pena a inexistência de fotografia comprovativa da Santidade que, com toda a certeza, a tenra idade atestaria. Comigo vive a recordação da Tomada do Senhor, o deglutir de Hóstia Sagrada na qual os dentes não poderiam tocar. O suplicio, o sufoco terrífico da vivência, ainda hoje me acompanha.


Bule connosco…

O tema destabiliza-me, a angústia agarra-me, quando a irracionalidade anda no ar incomodo-me, fico sempre a magicar na solução possível.
Lá para trás e porque fui professor há cerca de quarenta anos, nos confins do Alentejo, em terras do Menina estás à Janela, do Vitorino da boina, matutei naquele absurdo, por questões das voltas da vida, outro rumo, desliguei.
A super estrutura, a gigantesca organização, o sugar do erário publico em ritmo anual em continuo, capaz de uma abertura do ano lectivo condigna, é obra de loucos.


Bule connosco…

O tema destabiliza-me, a angústia agarra-me, quando a irracionalidade anda no ar incomodo-me, fico sempre a magicar na solução possível.
Lá para trás e porque fui professor há cerca de quarenta anos, nos confins do Alentejo, em terras do Menina estás à Janela, do Vitorino da boina, matutei naquele absurdo, por questões das voltas da vida, outro rumo, desliguei.
A super estrutura, a gigantesca organização, o sugar do erário publico em ritmo anual em continuo, capaz de uma abertura do ano lectivo condigna, é obra de loucos.


Rota do Leite e do Sal…

Em Portugal, nesta ocidental praia lusitana, existem tesouros espalhados ao longo de todo o território. Agora, comigo ao leme de mim, no barco da vida, dependendo apenas da saúde, sugo o respirar, snifo as coisas simples, as que estão no virar da esquina, esperando-nos, sempre disponíveis para quem aparece.
Ao reler a extasiante entrevista a Sobrinho Simões, acompanhei-o no pensamento, sim, o nascer do primeiro neto é sinal do aproximar. Tal como ele, num destino, fujo da sensação de que talvez seja a última vez que ali vou.


Next Stop – Alfarelos…

Pela manhã, após pequeno almoço, a rotina impõe-me obrigações, são tirânicos os costumes, drogas mesmo. Sento-me ao computador, dizer rotineiro, debruço as pestanas nos títulos gordos dos jornais diários online, livres de ónus e encargos. Sempre que o futuro aparece, largo o passado, entro pela notícia adentro, sempre parca, avanço para a pesquisa em todas as plataformas à disposição. O além suga-me.


Rua do Cabecinho…

A praceta tem o nome de uma das ruas que nela desembocam. Nos fins de tarde, nas tardes dos Agostos de inferno, abrasadores e sufocantes, por aqui não vive ninguém, nem o zurzir das moscas se escutam. Os paralelos, granitos da região, aquecidos ao rubro, ajudam à festa, neste sítio grelham-se as mentes e as almas. As portas e janelas que se debruçam para este pátio há muito que deixaram de ter companhia, os ferrolhos, as dobradiças, as velhas fechaduras morrem de saudade de quem lhes dava o uso.


Ponto Morto…

Naqueles tempos, saudosos tempos, viajei algumas vezes a caminho do Douro, ao encontro de uma paixão, ali para os arrabaldes de Sedielos. A quinta, espraiada em vale fértil, com águas correntes e abundantes onde um Espigueiro respeitoso se erguia opulento, foi sonho de Família, foi a menina dos olhos de meu pai. Lá, entre a Régua e Mesão Frio correram tempos de menino, as poeiras foram companheiras de rodopio, conhecia de perto os ventos, amigos que me acariciavam vindos da majestosa Fraga da Ermida, mesmo no centro da Aldeia das Águias, de Guedes de Amorim.


O Desespero…

Fixemos o tempo, paremos o relógio, retornemos ao fim da era Sócrates, naquele exato momento em que a dita esquerda se uniu à direita, isso mesmo, em que a dita esquerda se uniu à direita e nos ofereceu, mistela venenosa, o mais tenebroso governo da nossa ultrajada democracia.
Oriundo de passado enigmático, formado nas instrutivas fileiras da juventude PPD/PSD, de curriculum invejável, timoneiro Tecnoforma, eis o homem, o novo Messias.