A opinião de ...

Sinceramente, não dá para entender

Ao que tudo indica, e esperamos bem que assim seja, pode já ter passado o período mais crítico da passagem do “comboio de depressões”, que durante a primeira metade do mês de fevereiro atravessou o nosso país, deixando atrás de si, um rastro de devastação inimaginável, como nunca visto desde há muitas dezenas de anos.
Parafraseando a reação do Marquês de Pombal quando se apercebeu da destruição provocada pelo terramoto de Lisboa, também hoje e aqui, está na hora de, dentro do possível e antes de mais nada, fazer tudo, mas mesmo tudo, o que possa contribuir para reposição, rápida e eficiente, das condições de vida a que todos os seres humanos têm todo o direito, das quais se viram privadas do dia para a noite, sem que nada pudessem fazer para evitar essa tragédia, que o resto depois logo se verá…
Agora, sem perder nem um minuto, a escutar as teorias hilariantes da praga de intelectuais de aviário que parecem viver noutra galáxia, as lucubrações hilariantes de pretensos doutores de escano, as teorias anedóticas de puritanos, moralistas e iluminados, que se exibem nas barbearias de bairro, nem a dar crédito às lições de refinada sapiência da chusma incontável de especialistas de tudo e do seu contrário, que vindos não se sabe donde, nem o que por lá andaram a fazer durante todos estes anos, tomaram conta de tudo quanto é programa de televisão, é mais do que tempo de dizer a todos eles que voltem para os sítios donde nunca deviam ter saído, na plena certeza de que, se conseguirem sair de circulação ainda hoje, as saudades deles muito dificilmente passarão desta noite.
Chegou a hora de arregaçar as mangas e por as mãos na massa.
Como ainda estamos em pleno inverno, antes que volte a chover e dentro do que for humanamente possível, a urgência de todas as urgências, é reparar tudo o que for possível reparar e, simultaneamente, à medida que o volume das água for diminuindo e possibilite a análise, tanto quanto possível exata e credível, da dimensão ciclópica dos prejuízos causados pelas intempéries, para então sim, ter a noção, tanto quanto possível exata, do tempo e dos meios necessários para fazer a reconstrução do que for para reconstruir e programar corretamente, de acordo com as possibilidades e os meios disponíveis, o que tiver de ser construído de raiz, coisas que todas as pessoas, com um mínimo de bom senso e experiência de vida, sabem perfeitamente que não se resolvem da noite para o dia com um simples estalar de dedos, com o recurso à estratégia do passa culpas, nem mesmo, para lavar as próprias culpas no cartório, com a reedição da clássica fábula do lobo e do cordeiro, segundo a qual, quando um dia se juntaram para beberem água no mesmo ribeiro, mesmo estando o lobo a montante da corrente, atribuía ao cordeiro a culpa de turvar a água que estava a beber.
Compreendido, ou é preciso explicar melhor?

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