Mons. Adelino Paes homenageado pelos 50 anos da sua ordenação
A diocese de Bragança-Miranda promoveu, no sábado, uma homenagem ao Mons. Adelino Paes, por ocasião dos 50 anos da sua ordenação, com a apresentação do livro “O Tempo e o Pastor – A Jornada de Adelino Paes”, que inclui mais de 40 testemunhos.
“É uma homenagem não esperada, mas que muito me anima e conforta a prosseguir no Ministério que recebi há 50 anos e que agora vou desempenhando com toda a fragilidade. Mas este encontro, esta... eu não lhe digo homenagem porque não é homenagem, é de facto um conforto e um estímulo extraordinário para mim”, começou por dizer o homenageado ao Mensageiro de Bragança.
Para Monse. Adelino Paes, “os testemunhos são demasiado ousados”. “Dizem muito de quem é tão pequeno. Por isso me parece que houve uma certa ousadia, de facto, daqueles que depuseram sobre a minha pessoa. Mas muito agradeço a amizade e a estima que eles manifestaram por mim”, sublinhou.
O bispo de Bragança-Miranda, D. Nuno Almeida, frisou que este “é um momento, antes de mais, de muita alegria e ao mesmo tempo também de agradecermos a Deus o ministério do Mons. Adelino que ao longo de 50 anos semeou na nossa diocese e no coração de tantos a Palavra de Deus, no fundo o Evangelho”. “E o Mons. Adelino deixou marcas como hoje podemos ouvir e pressentir, mas também basta percorrermos a nossa diocese e apercebemos da obra que ficou, do testemunho que ele nos levou, E também, ao mesmo tempo, o Mons. Adelino é alguém sempre voltado para o futuro. O facto de termos hoje feito uma homenagem, de relembrarmos até etapas da sua vida, isto não significa que ele está voltado para trás. Ao contrário, o Mons. Adelino desafia-nos sempre a olhar o presente com alegria e o futuro sempre com muita esperança”, frisou o prelado.
A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, destacou a “proximidade” de Mons. Adelino. “Esse dom que não se aprende em livros, que não se conquista por esforço, mas que nasce da alma e se oferece aos outros sem cálculo.
Monsenhor Adelino Paes é, para tantos de nós, aquele que “nos olha como Jesus olhava”. Com paciência de semeador, com a simplicidade que não impõe, não força, não julga. Apenas acolhe. Apenas escuta. Apenas está.
Um homem que vive, no quotidiano, com uma pastoral profundamente sinodal: confia nos leigos, confia nos processos, confia no Espírito. E, sobretudo, coloca a caridade onde ela deve estar, no centro de tudo”, destacou a autarca.
O investigador Henrique Manuel Pereira foi o coordenador da obra. Ao Mensageiro, explicou que o objetivo foi “assinalar a efeméride com um livro que reunisse amigos e admiradores”. “Gosto da imagem da mesa: o livro como uma mesa. Este livro é uma mesa de amigos, um gesto coletivo que procura traduzir, em imagens e palavras, a gratidão a Mons. Adelino Paes. De muitos foi e é ele companheiro. Reúnem-se aqui e prestam testemunho mais de quatro dezenas de pessoas, com idades, geografias, estatutos, histórias e contextos diferenciados.
Desse ponto de vista, assumi o papel de mediação. Mas, como sabe, o livro vai muito além do bloco de testemunhos. Gostaria que fosse uma inequívoca forma de gratidão, o assumir de um legado que, longe de encerrar um ciclo ou fechar o tempo, o abre, inspirando o novo de cada dia. Como tive oportunidade de dizer, Mons. Adelino não precisa deste livro para nada – mas nós sim. Mais do que necessário ao homenageado, é-nos necessário para percebermos que vale a pena, que o Evangelho (ainda) é letra viva e atuante, que algo floresce atrás de nós”, explicou.
A obra foi editada pela diocese de Bragança-Miranda em parceria com a Fundação Betânia – Centro Apostólico de Acolhimento e Formação, integrando a coleção Presbyteriam. Conta ainda com o apoio dos Municípios de Miranda do Douro e de Bragança, da Associação Frauga, da Junta de Freguesia de Picote e da Obra Kolping da Diocese de Bragança-Miranda.
“Desde logo, não se trata de uma hagiografia, nem de uma biografia em sentido clássico. Trata-se de sinalizar um percurso inscrito num tempo longo, atravessando transformações profundas da Igreja e da sociedade. O tom dominante dos testemunhos é o da proximidade, da incarnação do Evangelho. Fala-se de bondade, de serenidade, de capacidade de acolher, de escutar sem pressa. Fala-se de um modo de estar que transforma a autoridade em serviço e a função em relação.
Nesse sentido, o livro é também um retrato de comunidades concretas. Com nomes, história e histórias, audácias e fragilidades. Comunidades que foram acompanhadas, geradas, sustentadas, e que aqui devolvem, em palavras de testemunho agradecido, o que receberam sob a forma de presença e doação. A memória individual cruza-se constantemente com a memória coletiva, porque, como sabemos, uma não existe sem a outra. Não obstante tudo o que se colige e manifesta, nunca pude descartar a convicção, verdadeira ou ilusória, de que o melhor de nós, e sobretudo o melhor dos melhores que caminham connosco, fica sempre por dizer”, disse Henrique Manuel Pereira.
Estiveram ainda presentes o bispo emérito de Bragança-Miranda, D. António Montes Moreira, o Arcebispo Primaz de Braga, D. José Cordeiro, ou a presidente da Câmara de Miranda do Douro, Helena Barril.
