A opinião de ...

Conselho Global para a Tolerância e Paz

Veio a Portugal o fundador do Conselho Global para a Tolerância e Paz, o seu Presidente S. E. Ahmed Bin Mohammed Al Jarwan, com uma experiência valiosa pelos cargos de relevância internacional desempenhados, apoiados na formação académica longa e respeitada, e na importância dos cargos exercidos, designadamente a Presidência do Parlamento Árabe, a pertença ao Conselho Federal Nacional dos Emirados Árabes Unidos. Mas sobretudo pela participação que decidiu assumir, a favor da Tolerância e Paz, nesta circunstância do globalismo sem governança em que nos encontramos, com a ambicionada utopia de criar a “ONU da Paz” a ver diminuída a autoridade pela transformação da terra numa “arena global”. Não parece que existam muitas divergências no que respeita a aceitar que vivemos em “globalismo”, sem propostas para a governança, que tem de corresponder a um modelo aceitável pelos Estados, no caso de ser possível chegar a uma definição. A proposta que conseguiu levar à organização da ONU, não conseguiu que a realidade aceitasse a igual dignidade dos Estados membros, manteve a aristocratização da hierarquia das soberanias pelo método do direito de veto concedido a cinco no Conselho de Segurança. Como aconteceu à anterior Sociedade das Nações, a realidade evolucionou em termos de anunciar um futuro que vai fazendo enfraquecer as capacidades da Utopia do projeto, de origem ocidental, que ficou na Carta. Em vez de um mundo unido, pela convicção de que temos um “mundo único”, e que o globo é “a terra comum dos homens”, as contradições multiplicam-se ao serviço de grupos de interesses contraditórios. Acontece que num curto período tivemos, no ano de 2019, eleições na União Europeia, e eleições nacionais, num mundo de ruturas, que inclui a segurança ameaçada pelo terrorismo, que atingiu a solidariedade europeia depois dos atentados de 13 de novembro de 2017 sem que fosse significativo o recurso ao artigo 5.º do tratado da NATO, ou ao artigo 222 do Tratado de Lisboa, que articulou a defesa comum, com os emergentes a desafiarem a sonhada ordem sobretudo pela crescente importância da China, com os EUA a cortarem os fios da confiança atlântica, com o Brexit do Reino Unido a abalar o secular regime democrático de um Estado que não é nacional. Foi nesta inquietante evolução, que leva ao outono ocidental, que apareceram os movimentos, inspirados pelo que chamo “justiça natural”, que visariam conseguir uma ética global capaz de ser o paradigma diretor de uma governança global, que articule, em paz e cooperação, os Estados, as áreas culturais, as etnias diferenciadas pelos mitos raciais, e as religiões. Lembro a obra preciosa do padre Kung, com uma investigação exaustiva sobre o judaísmo, o cristianismo, e a fé muçulmana, que o levou a criar a Fundação da Ética Global; lembro as declarações recentes do Dalai Lama do Tibete, recordo que, por cinco vezes, a Assembleia da ONU quis ouvir o Bispo de Roma, Papa da Igreja Católica, e ali estiveram Paulo VI, afirmando que o desenvolvimento sustentado é o novo nome da paz, por duas vezes João Paulo II a reclamar a restituição da liberdade aos povos, o Papa Emérito a solicitar autenticidade na aplicação da Carta, o Papa Francisco, que foram buscar ao “fim do mundo”, a proclamar que “esta economia mata”, sendo que a Amazónia serve hoje de bandeira de luta contra o abuso. É nesta linha que se insere este bem-vindo movimento, de um ilustre muçulmano, Conselho Global para a Tolerância e Paz, já reconhecido pela ONU, na época em que o terrorismo se atreve a invocar valores religiosos, e reanimar os mitos raciais que a Unesco tem o dever de apagar. Este movimento junta-se aos movimentos que, depois da “Mensagem de Assis” que tanto influenciou a evolução de Moçambique, à proposta da Declaração Universal dos Deveres Humanos, apresentada em 1 de setembro de 1997 pelo InterAction Council, aos esforços do Papa Francisco para o encontro e articulação das igrejas. Neste movimento crescente avulta agora esta iniciativa que enriquece a sabedoria e devoção aos valores da tolerância e paz, iniciativa que aqui já encontrou apoio e cooperação.

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