A opinião de ...

A campanha não alegre

O Senhor Eça escreveu virulentos acerca da vida política portuguesa e por isso mesmo a salientar a piroseira social repleta de tiques, ademanes e espertezas ridículas contaminantes das instituições no geral, dos homens e mulheres do grupo social de maior relevo em particular. Os pecados maiores e menores, todos, denunciados pelo romancista não se apagam, antes pelo contrário, brilham em todo o seu esplendor, porque não possuo o talento dele, vou tentar aflorar as pústulas que na minha perspectiva são responsáveis por não termos uma campanha entusiasta, mobilizadora, em suma, capaz de nos obrigar a sair da sombra a refrescar-nos dada a caloraça de ananases, estes frutos necessitam de muito calor a fim de nos adoçarem o palato.
Nenhum candidato ousa dizer a verdade relativa ao nosso futuro, nenhum se atreve a sem demagogia descrever o labirinto educacional, abordar seriamente temas como a estridente «igualdade do género», o racismo, o racismo ao contrário, as chagas sociais, são pura e simplesmente embrulhados numa manta de retalhos a desfazer-se após a lavagem do trigo ceifado nos meses de Junho e Julho. Temas como: situações de vida (má vida) de milhares de antigos combatentes na guerra colonial é tabu, pura e simplesmente tabu, logo desprovidos de propostas de actuação, nenhum aspirante a deputado gasta minutos a defenderem melhorias destinadas a minorarem os últimos dias das antigas criadas de servir, muito menos a denunciarem o aumento dos novos pobres de pedir os quais sofrem no espírito e na carne as emanações deletéricas dos avanços da sociedade digital.
Ouvi e vi alguns debates transmitidos nas televisões, os oponentes bramavam ao modo de vendedores e compradores de gado em dias de feira no Largo do Toural, com uma diferença, no final da discussão, na maior parte dos casos faziam negócio, estes vozeadores limitam-se a esbracejar convencidos de terem «arrasado» os fugazes opositores. Dado a vergonha não estar à venda, nem nas farmácias, por isso mesmo resta-nos a tristeza, pasmaceira e encolheres de ombros.
A amostra mais convincente da vacuidade dos debates, na minha opinião, foi as rábulas entre Costa e Catarina, Rio e Cristas, Catarina e o representante de tudo e nada do PAN. Uma campanha de banha da cobra!

Edição
3747