A opinião de ...

Poucos como o fermento

Na véspera de Natal, a Aleteia replicava uma notícia do jornal alemão jornal alemão Die Tagespost, segundo a qual o Papa Emérito Bento XVI queria criar uma fundação para promover o jornalismo católico [na Alemanha].
O presidente da nova fundação, Norbert Neuhaus, declarou que a divulgação da perspectiva católica “requer jornalistas qualificados e familiarizados com as questões de fé, Igreja e história eclesiástica, mas também com assuntos morais e éticos. Dar novamente efetividade e status ao jornalismo católico não chega naturalmente; requer um esforço conjunto, tanto intelectual como financeiro. Por isso [surgiu] esta fundação. Mesmo na pós-modernidade, a roda não precisa de ser reinventada. Elevar as verdades fundamentais da nossa tradição ocidental numa linguagem revigorada e contemporânea para o conhecimento do público em geral é tarefa do jornalismo católico contemporâneo. Esta é uma contribuição para a nova evangelização”, lia-se.
Mais à frente na notícia, percebe-se que a Fundação Tagespost para o Jornalismo Católico será independente do financiamento estatal e será financiada pelas contribuições dos fiéis católicos. A entidade espera arrecadar 450 mil euros para financiar projetos de formação internacional, ferramentas digitais e pesquisas sobre bioética e proteção da vida.
Numa altura em que cada vez mais alto se discute o papel da imprensa na sociedade atual, ganha consenso a voz que fala da necessidade de órgãos que ajudam na fiscalização, que dão voz a quem não a tem. Porque se as redes sociais democratizaram o acesso aos palcos, falta quem filtre a quantidade de informaçã que é bombardeada todos os dias para a rede, para as tvs, para os nossos telemóveis...
Em setembro, num encontro com os membros do Dicastério para a Comunicação Social (uma espécie de ministério criado pelo Papa Francisco no Vaticano), o Sumo Pontíficie dizia: “Comunicar é precisamente tomar do Ser de Deus e ter a mesma atitude; não poder ficar sozinho: a necessidade de comunicar o que tenho e acho que é o verdadeiro, o justo, o bom e o belo. Comunicar-se. (...)” Da mesma forma, o Papa alertou sobre “a tentação da resignação” e explicou que “somos poucos, mas não poucos como aqueles que se defendem porque somos poucos e o inimigo é maior; poucos como o fermento, poucos como o sal: esta é a vocação cristã! Não devemos ter vergonha de ser poucos; (...)”.
Ontem, o Mensageiro de Bragança cumpriu 80 anos de uma existência sonhada por um visionário. O Cón. Formigão, o ‘quarto pastorinho de Fátima’, na sua passagem pelo Nordeste Transmontano, não partiu sem deixar uma marca na cultura e na sociedade da região.
Oito décadas volvidas, os desafios que a igreja e a comunicação social enfrentam são outros, igualmente temíveis.
Nunca, como agora, o mundo conheceu uma tão rápida evolução tecnológica. No espaço de uma década vemos surgir maravilhas tecnológicas que logo se tornam obsoletas. Nunca foi tão fácil comunicar e, ao mesmo tempo, tão difícil. O alerta do Papa Francisco quanto ao uso dos telemóveis é disso exemplo.
Nos últimos tempos, ouvimos também falar em interferência de países terceiros na vida democrática de outras nações. EUA, Brasil, Brexit... Portugal é, ao que tudo indica, um dos próximos campos de treino.
Nunca como agora foi tão necessária a existência de um referencial, um farol a apontar caminhos.
Que Deus nos ajude a tentar sê-lo e a saber encarná-lo. Pois nós estamos por cá com o compromisso de o garantir. Não temos medo. “Somos poucos? Sim, mas com a vontade de ‘missionar’”..

Edição
3762