A opinião de ...

Proximidade

Tornar os territórios do interior do país “mais atrativos para as pessoas” é um dos principais objetivos de Isabel Ferreira, a cientista consagrada que foi nomeada Secretária de Estado para a Valorização do Interior.
São muitos os céticos que se ouvem bradar contra esta Secretaria de Estado. De facto, olhando para um passado mais ou menos recente, sabe-se que, em termos governativos, as boas ideias do papel raramente tiveram igual correspondência na realidade. E Deus sabe quanto o interior precisa que as boas ideias saiam do papel…
A questão é que, também nesta matéria, da nomeação de governantes, há acidentes.
E se alguém achou que a criação de uma Secretaria de Estado para a Valorização do Interior era um ato apenas de ‘botar figura’, sem consequências práticas, a nomeação de Isabel Ferreira para a pasta, acidente ou não, terá consequências práticas.
Nos corredores do Instituto Politécnico de Bragança, onde dirigia o Centro de Investigação de Montanha (CIMO), é conhecida pela sua capacidade de trabalho, pela prossecução de objetivos, por fazer acontecer.
Para o Interior, a notícia não poderia ser melhor pois se a meta é, dentro de quatro anos, ter a zona mais afastada da costa “com mais prosperidade”, Isabel Ferreira irá mover montanhas para o conseguir.
Em entrevista ao Mensageiro de Bragança, a primeira a um jornal desde que assumiu a pasta, aquela que é uma das cientistas mais citadas a nível mundial na sua área de trabalho, promete tudo fazer para que nada fique como dantes. E essa é uma certeza que podemos ter. Mesmo que não lhe sejam dados os meios económicos e políticos, nada ficará como dantes.
Isabel Ferreira promete “atrair novas oportunidades de investimento que fixem pessoas e dinamizem as economias regionais de forma muito impactante local, nacional e internacionalmente” pois acredita que “essa valorização vai trazer investimento, vai trazer pessoas, vai trazer melhor investigação científica, mais inovação e melhores serviços”.
Significa que o Interior ficará mais próximo dos padrões do litoral. E significa também que, apesar da falta de meios, houve uma vontade. E a aproximação do Governo ao Interior é sempre uma boa notícia para quem cá está.
Como boa notícia foi, também, a canonização de S. Bartolomeu dos Mártires, que no século XVI foi arcebispo de Braga numa altura em que o território do que é agora Bragança-Miranda fazia parte integrante dessa grande arquidiocese.
Na altura, Bartolomeu dos Mártires corporizou aquilo que o Papa Francisco pede que seja “uma Igreja em saída”, mais próxima dos fiéis.
S. Bartolomeu dos Mártires passou grande parte do seu episcopado em visita pastoral, numa real aproximação aos fiéis.
“A canonização de São Bartolomeu dos Mártires relembra-nos uma altíssima figura da evangelização essencial – que, nalguns casos, quase foi também a primeira, face a grandes ignorâncias e contradições de fé e costumes com que se deparou”, declarou D. Manuel Clemente, no discurso de abertura da 197ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.
Então como agora, a proximidade é fundamental para o desenvolvimento das comunidades. Porque às vezes há acidentes e as boas ideias resultam. Tenhamos fé.

Edição
3756