A opinião de ...

A confraria do Divino Senhor da Agonia dos Chãos [1]

Chãos provém do étimo latino “planus”, que pela via erudita deu plano e, pela via popular chão. Para Belarmino Afonso a configuração do terreno, sem acidentes físicos de monta, plano e com alguns lameiros, confirma versão etimológica popular. Já o Abade de Baçal refere, entre outros, que na Idade Média o termo Chãos indicava um lugar não acastelado, nem defendido por fortificações militares. No século VI o Paroquial Suevo, não refere os Chãos, mas menciona localidades próximas, Izeda, Quintela, Fermentãos, Sendas, Rossas, quase todas sob o domínio dos grandes potentados medievais: Castro de Avelãs, Ordem do Hospital e Nuno Martins de Chacim. As Inquirições Afonsinas [1258] referem as primeiras acrescentando os “vilares”, de Azibeiro e, Moredo e, tal como estes últimos, Chãos seria um “vilar” na confluência de caminhos importantes que vinham de Bragança para Mirandela e Moncorvo.
Frei Agostinho Da Silva, no tomo VII, do Santuário Mariano, 1721, refere a casa da Sr.ª dos Chãos anexa à paróquia de Salsas, cujo reitor apresenta os ermitões. Aí se festeja a Sr.ª da Encarnação, a 25 de março, São Braz e, a oitava do Espírito Santo.
Em 1758, António Ponte, cura confirmado de Vale de Nogueira, inventaria na ermida dos Chãos  três altares, um na Capela-mor com a imagem de Jesus crucificado e N.ª Srª. dos Chãos, outros dois na nave, do lado do Evangelho a Sr.ª da Saúde, da Epístola S. Braz. Aqui muitos alcançam remédios para as suas necessidades, uns são devotos do Santíssimo Cristo, outros da Sr.ª dos Chãos e, outros ainda da Sr.ª da Saúde.
A mentalidade barroca, do séc. XVIII, assinalará o auge dos Chãos. A doutrina de Trento, divulgada pelos bispos, pregada pelas missões Franciscanas, revigora as confrarias medievais, que os Jesuítas de Bragança [1718 a 1758] levarão ao seu apogeu, envolvendo muitíssimos transmontanos. Desconhecendo-se a data da fundação é nos finais do séc. XVIII que se fala da necessidade de uma confraria, para proceder à conservação da capela, dos seus bens e, promover o culto. Confraria esta que terá indulgências do Papa Leão XIII, nos finais do séc. XIX.
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Carolina Estevinho, filha de Nuno e Cristina Estevinho, natural de Bragança, tem 16 anos, frequenta o 11.º ano, do curso tecnológico de Artes Visuais, no Agrupamento de Escolas Emídio Garcia. 
Ainda não sabia falar e já andava de lápis na mão a rabiscar. Aos 14 anos começou o desenho de retratos, estilo em que é mais requisitada pelos amigos. Em 2019 participou na gala de fim de ano da Emídio Garcia e, no “SM’ARTE - IV Festival de Street Art de Bragança” como aluna do Professor Trovisco e, em pequenos projetos para os quais é solicitada, como o que vai ilustrar, a partir deste número, esta coluna. 
Agradeço à Carolina a colaboração, a disponibilidade, e desejo-lhe as melhores realizações.

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3785